A candidatura de Sofia Francisco foi validada quarta-feira, 12, pela comissão coordenada por Ndonda Nzinga, no âmbito do 6º Congresso Ordinário marcado para os dias 23 a 25 de Setembro.
A presença de Sofia Francisco na corrida quebra um ciclo de 63 anos de liderança exclusivamente masculina na FNLA. Esta candidatura reacende a chama de um desejo manifesto em 2010 pela ex-combatente Maria Henriqueta Miguel Pedro, mais conhecida por "Joia", que anunciou a intenção de se candidatar com o argumento de que "só com as mulheres a FNLA irá para a frente". Na altura, acabou por abandonar o partido após acusar a direcção liderada por Ngola Kabangu de a combater.
Num estudo publicado nos Cadernos de Estudos Africanos, a investigadora Margarida Paredes concluiu que "nunca houve na FNLA o reconhecimento da contribuição das mulheres para a luta, nem um discurso de género vinculado à 'emancipação feminina'".
Para além da candidatura de Sofia Francisco, constam ainda as candidaturas de Carlito Roberto, Filho do fundador Holden Roberto, António Fernando Pedro Gomes, Daniel António Afonso e Kiaku Samuel Kiala.
O 6º Congresso Ordinário acontece num momento em que o partido tenta superar anos de divisões internas e há duas comissões preparatórias concorrentes, uma ligada ao presidente Nimi-a-Simbi e outra apoiada por membros do Comité Central e do histórico Ngola Kabangu (antigo presidente do partido), esta última que aprovou as candidaturas.
O Comité Central da FNLA lança-se ao presidente do partido, Nimi-a-Nsimbi, alegando violações graves dos estatutos, má gestão de recursos, inviabilização de reuniões e do congresso, e de aprofundar a divisão interna.
O órgão chegou a retirar-lhe a confiança política, enquanto Nimi-a-Nsimbi rejeita as acusações, considerando as tentativas de afastamento ilegais.
A FNLA teve origem em 1954 com a criação da União das Populações do Norte de Angola (UPNA), fundada por Holden Roberto.
O movimento passou por várias transformações até adoptar a sigla actual em 1962, após a união com o Partido Democrático de Angola (PDA).
