O assunto foi abordado esta semana em Luanda, num workshop promovido pelo Ministério da Família e Promoção da Mulher (MINFAMU). As queixas das mulheres do campo são comuns e vão desde a falta de estradas, transportes públicos para o escoamento dos seus produtos, energia eléctrica, hospitais, escola, e a velha problemática de usurpação das terras de que têm sido alvo.

Francisca Manuel Filipe de 56 anos, camponesa da comuna sede de Calumbo, presente no encontro disse estar cansada de ouvir promessas do governo e apelou para a solução imediata dos problemas. As preocupações que trago para este encontro já afligem o povo desde há muito tempo. Não temos micro créditos, não temos moto-bombas, nem tractores. Não temos nada. As terras vão a acabar por secar, lamentou a cidadã, que tem a terra como único meio de sustento.

Sobrevivemos de pequemos negócios. Cortamos bassueira, fazemos vassoura e esteira, colocamos na cabeça, atravessamos o rio e vamos vender. Nos encontros com as autoridades dizem sempre que vão resolver os nossos assuntos. Mas até agora nada. Estamos mais uma vez neste fórum e vamos ver como o governo vai olhar para nós daqui em diante, observou, apoiada pelas companheiras.

Já Santa João Eduardo, camponesa do quilómetro 30, disse estar preocupada com a desapropriação de terras de que tem sido vítima. Há também os invasores que recebem as nossas terras. Alegam que foram mandados por gente grande. Trazem tractores e destroem os nossos produtos. Muitas de nós perdemos as lavras. Isto está mal. Não temos emprego para os filhos e agora recebem-nos as lavras, reclamou a mulher ao Novo Jornal. As diversas camponesas ouvidas pela reportagem no local reivindicam também a presença do sector de identificação nas zonas rurais, para facilitação do registo civil. Não temos sítios para tratar o bilhete de identidade. São muitos os problemas, queixaram-se as camponesas.

A actividade do MINFAMU com as mulheres rurais, inseriu-se nas comemorações do dia 15 de Outubro, data internacional consagrada à mulher rural. O acto de abertura do encontro foi presidido pela Secretária de Estado do MINFAFUM, Ana Paula Sacramento, que reconheceu as dificuldades que enfrentam as mulheres da enxada. A governante, em conversa com os jornalistas, assegurou à margem do evento que o executivo tem estado a trabalhar para dar solução gradual aos problemas das mulheres do campo.

Ana Paula Sacramento disse que algumas mulheres rurais estão já a beneficiar do programa Pró-Ajuda que visa a atribuição de um cartão que contém valores monetários. Estamos a complementar algumas preocupações colocadas pelas mulheres, como é o caso do programa Pró-Ajuda, criado pelo Fórum da Mulher Rural e que significa ajuda pelo trabalho.

As mulheres estão a ser cadastradas e algumas já beneficiaram do cartão Kikuia que atribui dez mil kwanzas às mulheres para compra de kits de trabalho, como enxadas, adubos, possibilitando também a compra de géneros alimentares, explicou a responsável. Porém, as camponesas ouvidas por este semanário, disseram não ter recebido qualquer valor e desconhecer a implementação do Programa. No encontro foram avançados alguns dados preliminares dos resultados da auscultação à Mulher Rural, assim como, o esboço do programa Nacional de Desenvolvimento da Mulher Rural.