O yuan digital, a primeira moeda digital estatal a nível mundial, começou a ser desenvolvida pelo banco central chinês em 2014, com testes técnicos realizados em várias cidades do país a partir de 2019.

Segundo o responsável do PBC, o yuan digital já dispõe de um ecossistema capaz de suportar pagamentos online e offline, contratos inteligentes e "maior transparência regulatória".

"Com a transição do yuan digital da versão 1.0, semelhante ao dinheiro físico, para a versão 2.0, que funciona como moeda de depósito, a China apresenta uma solução inovadora para a evolução do sistema monetário global", declarou Lu, durante um seminário de sobre moedas digitais centralizadas e aplicações transfronteiriças realizado hoje em Macau.

O evento foi organizado pela Autoridade Monetária de Macau, com o objetivo de "aprofundar a cooperação financeira e explorar aplicações de moeda digital" entre a China e os mercados lusófonos.

Segundo os dados oficiais mais recentes, desde o seu lançamento oficial em 2019, as transações acumuladas em yuan digital atingiram 16,7 biliões de yuan (2,11 biliões de euros) até novembro do ano passado.

O banco central chinês está a intensificar os esforços para expandir o uso do yuan digital dentro e fora do país, oferecendo incentivos e orientações diretas aos bancos para ampliar a utilização do yuan digital em diferentes áreas, incluindo pagamentos transfronteiriços.

"O yuan digital nasceu como substituto digital do dinheiro físico, para modernizar o sistema de pagamentos e reforçar a soberania monetária", indicou no mesmo evento o diretor do Instituto de Estudos de Moeda Digital do PBC, Mu Changchun.

"Hoje em dia já suporta pagamentos online e offline, contratos inteligentes e integração com sistemas de outros países", acrescentou.

O representante bancário acrescentou que um projeto de serviços de transferência transfronteiriça em yuan digital já está em funcionamento para facilitar pagamentos bilaterais internacionais.

"Isto permite que instituições financeiras estrangeiras se liguem através de uma única plataforma, oferecendo serviços de pagamento digital 24 horas por dia", explicou Mu.

Os representantes do banco central chinês destacaram que os custos elevados e a baixa eficiência dos pagamentos internacionais podem ser superados com novas infraestruturas digitais, sublinhando o papel de Macau como plataforma de ligação.

Macau está a desenvolver a sua própria moeda digital centralizada, a pataca digital, que deverá funcionar como moeda legal digital em paralelo com o dinheiro físico.

A Autoridade Monetária de Macau aderiu também recentemente ao projeto-piloto mBridge, uma plataforma multilateral de moedas digitais de bancos centrais que reúne bancos centrais da Ásia e do Médio Oriente.

"Esperamos que, através da interligação entre a pataca digital e esta plataforma, possamos estabelecer uma cooperação mais estreita com os países de língua portuguesa", afirmou o vice-governador do PBC.