Na altura Timor-Leste estava ainda sob o domínio da Indonésia e sujeito portanto ao país ocupante , com o povo do território lutando de armas na mão em defesa da independência.
O massacre que ocorreu no cemitério de Santa Cruz em Dili, durante a ocupação e que vitimou inúmeros cidadãos timorenses foi filmado por um repórter de uma cadeia de televisão estrangeira, acabando por correr mundo e sensibilizar a opinião publica mundial para a tragédia da justa luta do povo de Temor Leste.
Foi quanto bastou para um frémito generalizado de solidariedade dos povos de língua oficial portuguesa se expressasse em gigantescas manifestações em todo o mundo a independência de Timor Leste , reforçando a sensibilização mundial para a justa luta travada pelo seu povo.
Essa é a razão pela qual Timor-Leste só adere à CPLP em 2002, após a independência, tendo a Guiné Equatorial aderido também como membro permanente em 2004.
Hoje são, portanto, nove os países membros permanentes de CPLP , Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique , Portugal e São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Atualmente a Presidência rotativa dos países é assegurada por Timor-Leste e o cargo de Secretário Executivo pertence a Angola , com a Dra Maria de Fátima Jardim por este país indicada.
A anteceder a criação da CPLP, o então Presidente da Republica do Brasil José Sarney promoveu ume reunião em São Luís do Maranhão ,em 1989, com os Chefes de Estado e de Governo dos países de língua portuguesa incentivando à criação de um Instituto internacional da Língua Portuguesa .
Um grande impulsionador dessa instituição e da própria CPLP foi o Embaixador do Brasil em Lisboa , Aparecido de Oliveira.
O Instituto de Língua Portuguesa acabaria por ser criado em 2002 durante a reunião ordinária da CPLP de Chefes de Estado e Primeiros-ministros que teve lugar em São Tomé e Príncipe tendo hoje a sede na cidade da Praia , Cabo Verde e sendo seu Presidente João laurentino Neves.
Nos objetivos prosseguidos pela CPLP a concertação politico diplomática tem tido resultados que não são negligenciáveis ,sobretudo no domínio da sensibilização para a eleição de um dos países da CPLP que se apresentem comocandidatos a posições relevantes em instâncias supranacionais , desde logo para membros não permanente da ONU e de agências especializadas desta.
Também na outorga de convénios nos mais variados domínios, na Justiça, na Saúde, no Ambiente entre outros há registos a dar nota da importância.
Sendo, porém, a CPLP a única instituição mundial que neste integra todos os países que têm uma língua comum e a sua própria denominação referir ser também de povos ,é fundamental que o reconhecimento dos direitos e deveres de pertença a esta comunidade seja interiorizado pelos cidadãos.
Com realismo temos de reconhecer que este objetivo está longe, muito longe de ser preenchido, e é para ele que prioritariamente se tem agora de olhar e trabalhar.
Sei não ser uma tarefa fácil, mas absolutamente necessária ,dado o mundo multipolar em que vivemos , com uma fronteiras comum a todos os nossos países, o mar ,e o que isso hoje representa para o comércio mundial .
Há que ter além do mais presente que durante a luta de libertação dos povos africanos sob o domínio do regime colonial português foi criada a CONCP-Conferência dos Nacionalistas das Colónias Portuguesas ,uma estrutura de luta dos povos colonizados , não contra o povo português , considerado aliado , como a Revolução do 25 de Abril provaria ,mas contra o regime que a todos oprimia .
E porque Roma e Pavia não se fizeram num dia ,as diligências para o reforço de pertença dos cidadãos à CPLP tem de começar por pequenos passos ,desde logo pela abolição, ou no mínimo simplificação ,da emissão de vistos a empresários de um dos países que invista noutro ,criando nele riqueza, também a cientistas, investigadores, personalidades da, dos media e dos artistas .
Claro que se têm de definir critérios, tal como importa criar um Banco para a Cooperação que apoie o investimento em domínios que a todos interesse , desde logo nas inúmeras industrias do mar, incluindo o turismo ,culturais e agroalimentares, valorizando o sector primário que é garante da sustentabilidade.
Não é nada aliás que na ultima cimeira de Chefes de Estado e de Governo em Luanda isso não fosse previsto e anunciado e bem.
De que se espera decorridos 30 anos sobre a criação da CPLP?
