Considerando "manifestamente baixo" o volume de crédito concedido pelos bancos angolanos aos privados em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), e em comparação com outras economias, dando como exemplo a África do Sul ou Marrocos, o governante defendeu que existe espaço para o "crescimento do financiamento da banca à economia nacional".

Nunes Júnior reforçou este tema ao lembrar que a banca nacional mantém o crédito às empresas em 14% do PIB quando as economias consideradas para comparação têm índices bastante superiores, na ordem dos 50 por cento.

Na abertura de uma conferência sobre Financiamento ao Sector Privado, lançada pelo Banco Nacional de Angola (BNA), com o Museu da Moeda como palco, Manuel Nunes Júnior, o ministro que coordena a equipa económica do Executivo de João Lourenço sublinhou com vigor que não falta espaço para que esta realidade sofra uma alteração.

"Ainda existe muito espaço para o crescimento do financiamento dos nossos bancos à economia do país", frisou.

Ignorando a questão do crédito malparado em Angola, quando confrontado com a questão pelos jornalistas, como refere a Lusa, Nunes Júnior apontou baterias ao conhecimento que existe para o fraco nível de crédito a que os privados têm acesso no país, fazendo referência a um estudo realizado há sete anos que procurou essas causas, destacando a questão dos juros elevados e as garantias que são exigidas.

Mas apontou ainda, destacando essa informação do mesmo estudo, como constrangimento a fraca literacia financeira dos empresários e a desorganização das empresas, desde logo a questão da ausência de contabilidade organizada.

Entre as razões introduzidas pela intervenção do ministro de Estado para alterar este cenário, Nunes Júnior defendeu que esse passo, que consiste na necessidade de "os bancos fazerem a sua parte", é essencial porque vai incidir fortemente na necessária e urgente diversificação da economia angolana que, como se sabe, é ainda fortemente dependente das exportações de crude, que representam 95% dos recursos externos e 70% de toda a receita tributária.

Até porque, como salientou, citado pela Lusa, "onde não há confiança, não há investimentos em níveis adequados. Onde não há confiança, os bancos não dão crédito a níveis satisfatórios e não havendo crédito não há investimentos. Não havendo investimentos, não há crescimento e onde não há crescimento não há prosperidade", o que começa a ser um cenário em desconstrução porque, notou, "a confiança começa a reinstalar-se no mercado angolano e isto é muito bom para o investimento, quer nacional quer internacional".