Dois dias após o anúncio de uma nova era, com o Governo angolano a destacar avanços na execução da obra, por ocasião da visita do Presidente do Botswana, vários funcionários concentraram-se à porta das instalações com palavras de ordem como "queremos aumentos" e uma "boa alimentação".

A reivindicação começou com o grupo a entoar o hino nacional, num gesto associado à determinação dos colaboradores da empresa China National Chemical Engineering Company (CNCEC), que retomou a empreitada em 2023.

De lá para cá, segundo informações disponíveis, houve um ou outro sinal de descontentamento, mas o movimento desta sexta-feira está a ser mais contundente.

Dois trabalhadores disseram não acreditar que o salário mínimo numa obra avaliada em biliões de dólares seja de cem mil kwanzas.

Falando à porta do Sonaref, lamentaram o facto de a entidade patronal não permitir a criação de um sindicato, o órgão que, como ressaltaram, estaria a conduzir a greve. "Ninguém entrou para a refeição, é também protesto. A comida que nos é servida não tem a mínima qualidade", vincam.

Cientes de que toda negociação impõe cedências das partes, os trabalhadores propõem um salário mínimo na ordem de 600 mil kwanzas, valor que pode ir baixando conforme as discussões.

"Mesmo assim, exigimos um aumento substancial. Por isso mesmo é que, enquanto não houver resposta, continuamos sem trabalhar", disse um colaborador.

Nesta altura, conforme apurou o NJ, a brasileira Odebrecht vai já deixando da empreitada, concluídos os trabalhos de engenharia hidráulica e o bloco administrativo.

Com a execução física em 26%, o Sonaref absorveu já 1,6 mil milhões de dólares, valor aplicado pela Sonangol, esperando-se que até à conclusão, em 2029, o orçamento chegue aos USD 6.3 mil milhões.

Duas horas antes da publicação desta peça, o NJ solicitou um pronunciamento da petrolífera angolana, mas sem êxito.

Após a visita do Presidente do Botswana, Duma Gideon Boko, o presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Sebastião Martins, fez saber que existem muitos interessados no projecto, tanto para financiamento como para a estrutura accionista.

As autoridades angolanas esperam que o projecto crie mais de 6000 postos de trabalho, três vezes mais do que o número actual. Trata-se de uma iniciativa que prevê garantir ao país a auto-suficiência em termos de derivados de petróleo, projectada para processar 200 mil barris por dia.