Foi graças a essa alteração constitucional, que anulou o limite de dois mandatos, concretizada em 2023, após um referendo onde a população era questionada se apoiava ou recusava essa alteração, que Toudéra chegou ao terceiro mandato, com mais de 76%.
Faustin Touadéra, que contou com um apoio significativo de Angola nos primeiros anos da sua governação, quando se deslocava a Luanda (ver links em baixo), para consultas com o Presidente João Lourenço várias vezes ao ano, incluindo algumas não anunciadas oficialmente, chegou ao poder em 2016.
A sua reeleição, num contexto de forte turbulência, com facções armadas em disputa violenta pelo controlo do país, um país com gigantescos recursos naturais, incluindo ouro, diamantes e, especialmente, minérios estratégicos, como as famosas "terras raras", foi conseguida em 2020.
E foi nesse segundo mandato que resolveu arriscar uma alteração constitucional, organizando um referendo, que foi, como as eleições normais, alvo de fortes críticas da oposição e acusações de fraude generalizada, conseguindo, ao contrário doutros países em África que o tentaram, alcançar o objectivo com relativa tranquilidade.
Nas eleições de 28 de Dezembro último, Touadéra foi eleito, segundo a autoridade eleitoral, com 76,15% dos votos, uma votação esmagadora e contestada pela oposição, sendo que a principal ala oposicionista recusou concorrer por não confiar na lisura eleitoral.
Faustin Toudéra bateu assim seis candidatos por larga margem, conseguindo ainda garantir maiorias confortáveis no Parlamento e regionalmente, estando em mãos com processo de contestação dos resultados, que deverão, em definitivo, ser anunciados nos próximos dias, sendo o prazo máximo legal 20 de Janeiro.
Além da fraude eleitoral, a oposição refere que a violência no país não permitiu liberdade de escolha nalgumas regiões.
Organizações internacionais de observação não foram além de pequenos reparos à organização das eleições.








