Olhando para os últimos pequenos episódios desta guerra que os EUA e Israel estão a forçar há meses e à qual deram início efectivo no último dia de Fevereiro, Sábado, e entra esta segunda-feira, 02 de Março no seu 3º dia, ressalta o "não" rotundo que o Irão atirou contra a proposta do Presidente norte-americano para negociações.
Este ruidoso "não" foi disparado pelo chefe da segurança interna iraniana, Ali Laranjani, que era o conselheiro mais próximo do Líder Supremo, aiatola Ali Khamenei, assassinado às primeiras bombas lançadas por Israel sobre Teerão na manhã de Sábado, 28 de Fevereiro.
Que se sobrepõe claramente ao que tinha dito pouco antes o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, quando, citado pela ISNA, a agência de notícias oficial do Irão, embora sem dizer "sim" a Donald Trump, reiterou que o Irão "sempre preferiu negociar à guerra" e que as negociações que estavam em curso e foram interrompidas por este ataque. "demonstram isso mesmo".
O chefe da diplomacia iraniana ainda acrescentou que o Irão também estava apostada em negociar quando em Junho de 2025, horas antes de uma 6ª ronda negocial que prometia avanços positivos relevantes, Israel atacou o país e os EUA, mais uma vez, seguiram o rasto explosivo deixado pelo Governo de Benjamin Netanyhau.
Porém, esta recusa em negociar no meio de uma guerra desencadeada sem qualquer justificação, apesar dos esforços de Trump para lhe dar alicerces ao referir os clichés habituais, de que "o Irão está sempre a gritar `morte aos EUA', mostra ainda que é o presidente dos EUA que quer falar com o Irão e não como ele disse: "Eles querem conversar e eu estou disponível para falar com as novas autoridades do Irão".
Só que, este convite semi-formal de Trump para procurar uma saída para esta guerra, foi feito no Domingo, horas antes da abertura dos mercados petrolíferos globais e horas depois de a Guarda Revolucionária do Irão ter anunciado o encerramento do Estreito de Ormuz.
É que nesta segunda-feira aconteceu que os analistas estavam a dizer que sucederia... os mercados petrolíferos explodiram para cima dos 80 USD por barril de Brent, e já perto das 09:50, hora de Luanda, estava ainda nos 79.6 USD, a subir quase 10% face ao fecho da sessão de sexta-feira...
E com, ainda por cima, os analistas a avançar quase em uníssono que assim que ficar claro que o aviso, uma simples mensagem via rádio para todos os navios com rumo ao Estreito de Ormuz, de e para o Golfo Pérsico, por onde passam 20 milhões de barris por dia, mais de 20% do crude consumido diariamente no mundo, não é um bluff, os gráficos vão estremecer de novo e os 100 USD é uma barreira que pode ser trespassada nas próximas 24 horas.
Para já, esse é um ponto que faz igualmente estremecer Donald Trump e as suas ambições políticas, mas não é o único.
O facto de, mais uma vez, ter iniciado uma guerra sem consultar, como a Constituição impõe, o Congresso, pode, assim que, e se, perder a maioria na Câmara dos Representantes, ver aberto um processo de destituição (impeachment), e se também perder, o que seria natural caso a crise económica acelere, o Senado, provavelmente perderá o mandato, ficando sujeito à justiça no âmbito do escândalo de pedofilia internacional "Ficheiros Epstein", onde o seu nome é um dos mais citados nos mais de 3 milhões de documentos.
Além disso, uma crise económica que pode superar a de 2008, se o barril chegar aos 100 USD, será uma catástrofe para as suas ambições nas eleições intercalares de Novembro, colocando-o â mercê de um Congresso hostil e com uma gigantesca vontade de se vingar contra tudo que Trump tem dito e feito aproveitando as maiorias que tem no Capitólio.
Além disso, foram reconhecidas pelo Pentagono as primeiras baixas entre os militares norte-americanos, quatro mortos e vários feridos, sendo que o Irão avança que são mais de 200 mortos entre as fileiras dos EUA, as imagens de sucessivas explosões nas bases americanas no Médio Oriente começam a inundar as televisões dos EUA e a afogar a sua já periclitante aceitação popular.
E a morte de Ali Khamenei também está a revelar-se um tiro que saiu pela culatra, porque não só o regime não caiu, como Trump, efectivamente esperava acontecer, como não emerge a revolução popular em apoio ao derrube do regime em Teerão, pelo contrário, milhões saíram à rua apoiando o Governo iraniano.
Pior ainda: em países como o Kuwait, Paquistão e Bahrein, começam a surgir imagens de ataques populares ás embaixadas dos Estados Unidos e regozijo popular pelos ataques iranianos às bases norte-americanas, tal como no Iraque foram, havendo diversos vídeos a mostrá-lo, efectuados os primeiros ataques devastadores a bases dos EUA...
Aviões dos EUA tombam dos céus sobre o kuwait
A piorar o contexto dramático para Trump, o ministro da Defesa do Kuwait avançou esta segunda-feira, 02, que "vários aviões de guerra dos EUA foram abatidos" e caíram no país, embora com todos os pilotos a conseguirem ejectar-se e aterra a salvo, o que está a ser acompanhado por vídeos mostrando os caças norte-americanos em espiral na direcção do solo ou a serem atingidos em pleno voo.
Mas que não haja dúvidas, é o irão que mais está a sofrer em termos humanos e em infra-estruturas destruídas, desde logo com a morte do aiatola Ali Khamenei, do ministro da Defesa, e dos chefes militares do Exército e da Guarda Revolucionária, bem como perto de 40 outros oficiais das diversas forças de segurança do país.
Sendo esse alvos "naturais" numa guerra, já o que aconteceu em Minab, cidade do sul do Irão, na província do Ormusgustão, onde uma escola primária para raparigas foi selvaticamente atingida por misseis da coligação israelo-americana, matando mais de 170 crianças, ficará para a história como o mais absurdo e monstruoso episódio desta guerra, fazendo recordar o genocídio em Gaza conduzido por Israel nos últimos dois anos e meio.
Além disso, por todas as cidades do Irão mas com imagens mais comuns em Teerão, desde Sábado de manhã que extensas colunas de fumo negro envolvem a área urbana mostrando a violência extraordinária dos ataques israelo-americanos, sendo que nada parece estar a ser poupado, com esquadras da polícia, os estúdios da TV iraniana estatal, escolas, hospitais... a serem repetidamente atingidos pelos sofisticados misseis lançados pela coligação nesta operação que foi anunciada por Israel como "Rugido do Leão" e pelos EUA como "Fúria Épica".
Nos últimos flashes desta guerra, além dos aviões norte-americanos a caírem dos céus no Kuwait, sobressaem as explosões de drones iranianos nos luxuosos hotéis do Dubai, Abu Dhabi e Bahrein, nas bases militares dos EUA em todos os países do Golfo Pérsico e Jordãnia...
... e, naquilo que parece ser uma escalada importante, a imagem e um drone alegadamente iraniano, embora as operações de falsa bandeira sejam admissíveis nestes ambientes, a embater numa estrutura da ARAMCO, a petrolífera saudita, e a maior companhia de petróleos do mundo...
Este momento é relevante porque se o Irão começar a destruir a infra-estrutura do oil & gas dos países aliados dos Estados Unidos no Golfo Pérsico, então nem será preciso fechar o Estreito de Ormuz, porque não haverá petróleo para encher os superpetroleiros que abastecem a economia mundial...
Guerra regionaliza-se ainda mais
Este conflito está, entretanto, a regionalizar-se ainda mais rapidamente com um ataque registado pelo Hezbollah contra Israel desde o Líbano, onde o grupo xiita e histórico aliado de Teerão tem a sua base e implantação alargada no centro-sul do país.
Israel anunciou esta segunda-feira, 02, ter registado vários mísseis lançados do Líbano contra zonas do norte do país, ataques reivindicados pelo grupo xiita Hezbollah, num contexto de escalada bélica regional após Israel e Estados Unidos atacarem o Irão.
Vários alertas foram activados no norte de Israel após os ataques, pouco depois da meia-noite de acordo com informações divulgadas pelas Forças de Defesa de Israel (FDI, na sigla em inglês) na plataforma de mensagens Telegram.
As FDI garantiram que estavam a responder com bombardeamentos em território libanês.
"A Força Aérea interceptou um projétil que cruzou do Líbano (...) Não foram relatados danos ou vítimas", anunciou o exército israelita, notando que outros projécteis caíram em áreas abertas.
O Hezbollah reivindicou posteriormente a autoria dos ataques, que foram dirigidos ao sul de Haifa, de acordo com um comunicado do grupo, divulgado por meios de comunicação como a emissora do Qatar Al Jazeera.
De acordo com esta informação, o grupo xiita atacou Israel "em vingança pelo sangue do imã Khamenei".
"A nossa resposta é de legítima defesa", acrescentou.
As FDI garantiram estar a responder a estes ataques "de forma vigorosa" com bombardeamentos dirigidos contra "a organização terrorista Hezbollah em todo o Líbano", que acusou de "operar sob os auspícios do regime terrorista iraniano".
"As FDI estavam preparadas para este cenário como parte das operações de combate no âmbito da operação Rugido do Leão", como baptizaram o ataque conjunto com os Estados Unidos contra o Irão no sábado.










