Localizado no distrito de Mentougou, no oeste da capital chinesa, o parque é apresentado como o primeiro de Pequim a testar este modelo, que pretende reduzir a densidade dos mosquitos e, consequentemente, o risco de transmissão de doenças.

Segundo a agência EFE, a primeira componente do projecto passa pela instalação de armadilhas inteligentes que imitam algumas características do corpo humano, libertando dióxido de carbono e gerando calor para atrair as fêmeas dos mosquitos, posteriormente capturadas por sucção.

Os equipamentos, instalados em pontos visíveis do parque, possuem ecrãs que permitem acompanhar o número de capturas em tempo real. Cada armadilha pode chegar a capturar cerca de três mil mosquitos por dia.

A segunda componente recorre à vegetação. Cerca de 800 metros quadrados do espaço foram destinados ao cultivo de plantas como hortelã, campainha-chinesa e erva-gateira, que as autoridades locais dizem ajudar a repelir os mosquitos. A estratégia inclui ainda processos de esterilização do solo.

A iniciativa prevê igualmente acções periódicas para eliminar focos de reprodução, incluindo a manutenção da vegetação e a limpeza de poços de águas pluviais, valas de drenagem e outras zonas baixas onde possa acumular-se água.

Outros lugares em Pequim já começaram a adoptar algumas destas medidas. No parque Xiangshan, por exemplo, as autoridades recorrem à criação de peixes que se alimentam de larvas de mosquito em alguns dos lagos.

A medida surge numa altura em que a China procura responder à expansão da actividade dos mosquitos para zonas mais a norte do país.

De acordo com Cheng Gong, professor do Departamento de Ciências Médicas Básicas da Universidade de Tsinghua, citado pela mesma fonte, as temperaturas e níveis de precipitação mais elevados, o efeito de ilha de calor urbano, a existência de pequenos recipientes com água estagnada e a maior circulação de pessoas e mercadorias estão entre os factores que favorecem a sobrevivência e propagação dos insectos.

Embora o norte da China não seja uma zona endémica de dengue ou chikungunya, o especialista alerta para o risco de transmissão local quando as condições ambientais forem favoráveis e a densidade dos mosquitos atingir determinados níveis.

A estratégia de Pequim não pretende eliminar totalmente os mosquitos, mas reduzir a sua densidade, o número de picadas e o risco de transmissão de doenças.

O parque do Rio Yongding é apresentado como o primeiro passo de um plano trienal lançado este ano, que tenciona envolver, até 2028, 80% das comunidades e espaços públicos da capital chinesa em iniciativas de controlo dos mosquitos.

A experiência chinesa ganha particular interesse no contexto angolano, onde a malária continua a ser um dos principais problemas de saúde pública. Em 2025, foram registados em Angola mais de 11 milhões de casos e cerca de 11 mil mortes, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A malária continua a ser a principal causa de morbilidade e mortalidade em solo nacional. A OMS refere que as redes mosquiteiras tratadas com insecticida, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado estão entre as ferramentas disponíveis no País para mitigar o impacto da doença.

Este projecto-piloto levanta, por isso, uma questão: poderão soluções de controlo dos mosquitos em ambientes urbanos complementar as estratégias utilizadas no combate à malária?