O veículo pesado de passageiros, que tem acoplado um atrelado para o transporte de mercadorias, dispõe de uma WC e de ecrãs de TV, mas que, ao longo das 12 horas de viagem. não exibiram imagens. Avaria do equipamento ou para não perturbar o sono dos passageiros?
Com uma capacidade de 7 dezenas de passageiros, o autocarro de dois pisos, tem poucos lugares disponíveis, mas que foram sendo preenchidos ao longo dos quase 750 Km de distância que separam as duas localidades.
À saída da capital namibiana, o autocarro passa pelo primeiro grande posto controlo policial, onde o mesmo é sujeita à pesagem. Este mecanismo de fiscalização permite proteger as estradas do excesso de peso, contribuindo para a sua segurança e durabilidade.
A Intercape, à semelhança das suas congéneres, a namibiana Ndampuka e a angolana Macon, opera apenas no período nocturno nesse trajecto, o que de certo modo limita a visão panorâmica da viagem.
Apesar do reduzido tráfego de veículos durante a noite e do bom estado do asfalto, sem buracos, nem lombas, o motorista não excede a velocidade pré-determinada e, à entrada e saída das localidades, imobiliza a viatura ao sinal vermelho nos semáforos, mesmo estando as vias desertas.
Ao raiar do dia, depois de uma longa e extenuante viagem, o autocarro da Intercape chega, finalmente, ao destino, ou seja, à fronteira que divide os dois países.
Um silêncio quase tumular passeia-se pela estrada principal de Oshikango, uma localidade que ao longo do dia fervilha devido ao comércio transfronteiriço, que leva milhares de pessoas a movimentar-se de um lado para o outro.
À chegada, alguns angolanos oferecem-se para transportar as malas, preencher os formulários migratórios em inglês ou ainda fazer passar as bagagens para o outro lado da fronteira, sem o pagamento das taxas alfandegárias à AGT. Eles aprestam-se a fazer o serviço a troco do de alguns dólares namibianos ou Kwanzas.
Exaustos e aparentemente sonolentos, dezenas de passageiros posicionam-se em duas filas, aguardando, à vez, pela colocação do carimbo nos respetivos passaportes e passes transfronteiriços, que lhes permitirá entrar em território nacional.
Entre os passageiros, alguns não escondiam a sua insatisfação e o cansaço devido à demora no "crivo" migratório, que achavam bastante moroso e injustificado, visto que a maior parte dos recém-chegados eram angolanos que regressavam ao seu país de origem. Os mais experimentados nesse tipo de viagens dizem que as demoras têm sido habituais e propositadas nesse posto fronteiriço, que funciona 24 sobre 24 horas.
O tempo de espera pareceu-me exagerado, já que podia ser abreviado, sem que isso colocasse em causa a segurança do país no que diz respeito ao controlo de entrada de pessoas e bens em território nacional.
Apesar de as malas de viagem terem sido sujeitas ao "crivo" de aparelhos de RX, paradoxalmente, as mesmas eram depois submetidas à revista manual.
Durante o processo de revista, um funcionário alfandegário adverte, alto e bom som, que os passageiros só podiam passar com duas peças novas de roupa, igual número de perfumes e doutros quejandos, de contrário teriam de declarar os excedentes junto à AGT.
Entre os passageiros, alguns resmungam e consideram absurdas as limitações impostas pelas autoridades tributárias e mostram-se receosos quanto à sua eficácia.
*Windhoek