"Fizemos um plano de seis meses de resposta para a situação em Gaza, Maputo e algumas zonas da província de Sofala, com uma estimativa de cerca de 34 milhões de dólares. Precisamos de financiamento para poder ter a habilidade de alcançar mais pessoas em termos de beneficiários", disse à Lusa Cláudio Julaia, especialista de emergência da Unicef em Moçambique.
Segundo o responsável, a prioridade é garantir que, onde as pessoas estiverem acomodadas, tenham acesso à água potável e ao saneamento apropriado, quando dados oficiais indicam que mais de 75 mil moçambicanos estão abrigados em 76 centros de acomodação, entre os 723.500 afectados pelas cheias desde janeiro.
Enquanto a agência das Nações Unidas mobiliza "material diverso", equivalente a cerca de 100 toneladas de produtos, principalmente para as províncias de Gaza e Maputo, Cláudio Julaia assinalou que foi identificada, entre as prioridades, a questão do saneamento, com a constatação de que o número de latrinas para as populações deslocadas é insuficiente.
Segundo o especialista da Unicef, a questão da assistência médica e medicamentosa é também importantíssima para essa população "que já é vulnerável", sendo também prioridade continuar a fortalecer e a apoiar o sector da saúde nacional com medicamentos, equipamentos e outros materiais "para que o serviço de saúde seja acessível a esta população".
Nas acções realizadas agora, a Unicef admite o esforço para evitar riscos associados à violência para com as crianças nos centros de acolhimento, com meios para as ocupar, "para que não sejam desviadas para outro tipo de situações que não estão favoráveis", disse Julaia.
"Nós também estamos a dar algum equipamento, estamos a falar de "kits" de escolas, "kit" do aluno, também "kit" do professor em preparação na abertura do ano lectivo, embora tenha sido atrasado", assinalou, acrescentando que a agência da ONU vê também como um "risco" o atraso das crianças na sua educação, promovendo, por isso, algumas actividades informais nesta área.
O especialista avançou ainda que a Unicef espera alcançar com apoio humanitário pelo menos 30 mil crianças nas próximas semanas.
Em 21 de janeiro, o Unicef estimara que mais de metade das então 513.000 pessoas afectadas pelas chuvas e inundações em Moçambique eram crianças, alertando para uma "espiral perigosa" devido à interrupção no apoio humanitário.
Guy Taylor, responsável de Comunicação da daquela agência da ONU em Moçambique, avançou na altura que o acesso aos serviços mais básicos - como água potável, saúde, nutrição e educação - passou a ser "incerto ou inseguro" na maioria das áreas afectadas, e nestas condições, frisou, "as crianças enfrentam maiores riscos de doença, perturbação da aprendizagem e riscos de protecção, particularmente as raparigas e os adolescentes".
De acordo com a actualização na base de dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INDG), a que a Lusa teve acesso na quarta-feira, as cheias que se registam em vários pontos de Moçambique já afectaram o equivalente a 170.248 famílias.
Desde 07 de janeiro foram registados ainda 145 feridos e nove desaparecidos, além de 3.555 casas parcialmente destruídas, 832 totalmente destruídas e 165.946 inundadas, agravando os números anteriores.
Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as cheias de janeiro, há registo de 182 mortos, além de 289 feridos e de 844.932 pessoas afectadas, segundo os dados do INGD.

