Mucanda é uma palavra de origem kimbundu que se refere à carta ou mensagem escrita.
Uma vez por mês, são publicadas conversas neste espaço e nesta edição dedicada exclusivamente aos companheiros cubanos.
Cerca de (250) cidadãos angolanos, agindo em plena consciência do exercício de um legítimo direito e indeclinável dever de expressão cívica, perante Sua Excelência, o Presidente da República e, por seu intermédio, perante toda a sociedade angolana, manifestaram o seu mais vivo repúdio ao maléfico procedimento em curso contra a República de Cuba, e a mais calorosa solidariedade para com o irmão povo cubano, face à dramática situação que presentemente atravessa.
Vítima há mais de seis décadas de um cruel, ilegal, injusto e imoral bloqueio, condenado, ano após ano, pela esmagadora maioria dos Estados do mundo - 187 membros das Nações Unidas- exigiram o fim do bloqueio na última Assembleia Geral -, o estrangulamento de Cuba atinge agora o paroxismo, com uma violência atroz e desumana, por via do drástico cerceamento do fornecimento de combustível, que já está a paralisar escolas, hospitais, ambulâncias, fábricas, postos de abastecimento da população, transportes públicos, serviços e estruturas públicas, matando a economia e a vida numa sociedade já de si vulnerável, mas abnegadamente resistente.
Ao arrepio das normas mais elementares do Direito Internacional, os Estados Unidos da América estão a impor implacavelmente o cerco total a Cuba, não só por acções directas, mas também com medidas sancionatórias e ameaças de retaliação sobre terceiros países que persistam em relacionar-se com Cuba, mesmo que seja numa base apenas comercial ou de ajuda humanitária.
Angola beneficiou amplamente, desde a sua libertação do colonialismo, e mesmo antes, da inestimável multifacetada ajuda de Cuba.
A defesa e a preservação da soberania nacional e da integridade territorial do nosso Estado não teria sido possível sem a participação abnegada das forças armadas cubanas.
Centenas de milhares de homens e mulheres de Cuba combateram heroicamente, anos a fio, ao lado dos angolanos, contra as agressões das forças racistas do apartheid sul-africano, muitos dando a sua vida e vertendo o seu sangue no solo angolano.
Na educação, nas escolas e universidades, nos hospitais e centros de saúde, nos mais recônditos locais do País, desde a primeira hora e ao longo de décadas, o povo angolano foi bafejado com a valiosa cooperação, ajuda e solidariedade de Cuba, numa postura desinteressada de íntegro internacionalismo e irmandade.
É por tudo isto, e o mais que a história regista que Angola tem para com Cuba e para com o povo cubano uma enorme dívida de reconhecimento e gratidão, dívida que não prescreve, não pode ser apagada ou menorizada, antes tem de ser guardada e recordada para as gerações futuras.
Por isso, neste momento dramático de emergência que se vive em Cuba, por força do cruel e desumano bloqueio a que a ilha está submetida, os signatários consideram ser um dever imperativo de Angola, do seu Governo, das suas instituições e de toda a sociedade angolana de tudo fazer para ajudar Cuba a superar o garrote que a atinge, prestando-lhe todo o apoio político, diplomático, material, humanitário e moral que o povo cubano bem merece.

Daí que os signatários estão empenhados em encontrar formas concretas de mobilização de acções de ajuda solidária aos mais carentes em Cuba, em particular às crianças e aos idosos.

*Ex-bastonário da OAA