Esta declaração aparece, embora ainda muito não se sabia sobre o que aconteceu na madrugada passada em Caracas, em aparente contradição com a realidade no terreno, porque, apesar de Maduro estar já fora do país, o regime chavista não parece ter caído.

É que, até agora, perto das 18:00 em Luanda, menos cinco em Caracas, o que se sabe é que os ministros da Defesa e do Interior, e a vice-Presidente da Venezuela, têm estado a fazer declarações onde garantem que o poder não passou de mãos.

Na conferência de imprensa que estava marcada para a sua casa de férias, na Florida, perto das 17:00 de Luanda e apenas aconteceu quase uma hora depois, Trump sublinhou que os EUA vão gerir a Venezuela "até que que seja considerado que a transição de poder esteja concluída".

"Esta foi uma das mais extraordinárias operações militares, mais poderosas e efectivas operações militares, da história militar dos EUA", disse Donald Trump, considerando que "mais nenhuma nação no mundo seria capaz de fazer o que agora foi feito na Venezuela" de forma tão célere e eficaz.

Nesta conferência de imprensa, Donald Trump, acompanhado de grande parte da sua Administração, avisou as figuras do regime de Maduro em Caracas que os EUA estão prontos para "uma segunda vaga de ataque" se tal vier a revelar-se necessário.

Isto, ao que tudo indica, é o que Trump espera ser necessário para que o poder na Venezuela ceda e entregue as chaves do castelo a Washington.

"Todas as figuras políticas e militares na Venezuela devem perceber que o que aconteceu com Maduro vai aconter com eles se desafiarem a autoridades dos EUA no país para que o país seja gerido em nome do povo venezuelano", disse Trump.

E numa referência clara ao que os analistas têm sublinhado quase em uníssono que é o motivo maior desta mudança de regime em Caracas, Trump anunciou que o petróleo da Venezuela, cujas reservas estimadas, as maiores do mundo, chegam aos 300 mil milhões de barris, vai ser gerido e negociado pelas multinacionais norte-americanas.

As petrolíferas dos EUA vão reparar a danificada infra-estrutura venezuelana e colocar o sector a funcionar como deve ser.

Disse ainda que quer "paz, liberdade e justiça para o grande povo da Venezuela, e isso incluí muitos venezuelanos que vivem actualmente nos EUA e querem voltar ao seu país".

E, para isso, repetiu, os EUA "vão ficar na Venezuela até quando for preciso de forma a garantir uma transição de poder e até que esta esteja concluída".

Mas, até lá as grandes petrolíferas norte-americanas vão ser quem manda no país: "Vamos ter as nossas companhias petrolíferas, as maiores do mundo, no terreno, a gastar biliões, para recuperar a infra-estrutura energética venezuelana e começar a fazer uma quantidade enorme de dinheiro para o povo venezuelano".

"E quem tentar impedir que isto aconteça, sofrerá o mesmo que Maduro", avisou.

Para substituir Nicolas Maduro, Trump admitiu que a opositora Maria Cotrina Machado (ver links em baixo) poderá ser a senhora que se segue no Palácio Presidencial em Caracas.

Já no espaço das perguntas, Trump e o seu secretário de Estado, Marco Rubio, admitiram que também pode acontecer que os EUA decidam "ajudar o povo cubano" a libertar-se de um Governo incompetente e que só produz miséria.