Não foi a excepção o caso angolano, sendo que a nossa Embaixada em Luanda preparou uma série de iniciativas, presenciais e digitais, dedicadas a este feriado, inclusive a recepção solene que contou com altos representantes do Estado angolano, corpo diplomático, media e sociedade civil.
No decorrer do evento, no discurso de abertura, destaquei, entre outros, a importância do vector africano na diplomacia moderna russa, algo que gostaria de abordar neste artigo.
No ano passado, marcou-se mais um avanço no desenvolvimento das relações russo-africanas. Este processo reflecte não apenas a intensificação dos contactos políticos, mas também a expansão da cooperação prática em múltiplas áreas, incluindo economia, segurança, educação e intercâmbio humanitário.
Um marco significativo foi a realização, em Dezembro, no Cairo, da Segunda Conferência Ministerial do Fórum de Parceria Rússia - África. Os seus resultados lançaram uma base sólida para a preparação da próxima Cimeira Rússia - África, prevista para 2026.
Foi instituído um novo mecanismo de diálogo político «Rússia - Confederação dos Estados do Sahel» ao nível dos Ministros dos Negócios Estrangeiros. Este formato representa um passo qualitativamente novo no desenvolvimento da cooperação com os países desta importante região africana, tendo em conta os desafios específicos relacionados com a segurança, o desenvolvimento socioeconómico e a estabilidade institucional. Vale a pena mencionar o trabalho conjunto dos peritos russos e africanos no asseguramento da segurança no continente. Temos cooperado e mantido o diálogo frutífero no domínio técnico-militar, de combate ao terrorismo e ameaças transnacionais, bem como no da preparação de quadros.
Outro resultado importante foi a assinatura de acordos intergovernamentais sobre as bases das relações com o Mali e o Togo, criando um quadro jurídico sólido para o desenvolvimento de cooperação de longo-prazo.
Em Dezembro de 2025, iniciou-se oficialmente o funcionamento da Embaixada da Federação da Rússia na República do Sudão do Sul, representando mais um passo no reforço da presença diplomática russa em África. Também foram postas em operação embaixadas russas no Níger e na Serra Leoa.
A cooperação da Rússia com os países do continente continua a desenvolver-se de uma forma consistente e, como salientou o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, na Segunda Conferência Ministerial do Fórum de Parceria Rússia - África, fortalece o seu carácter multifacetado e verdadeiramente estratégico. Temos construído as nossas relações, dirigidas pelos princípios básicos da Carta das Nações Unidas e pelas normas fundamentais do Direito Internacional, na sua totalidade e interconexão.
Prestamos grande atenção à manutenção de contactos regulares com os parceiros africanos, a fim de coordenar as posições sobre a agenda actual. Assim, no âmbito do já referido Fórum de Parceria, o chefe da diplomacia russa manteve cerca de duas dezenas de reuniões com os seus homólogos, o que testemunha o alto nível de entendimento mútuo no que diz respeito a vários aspectos da cooperação no palco internacional, nomeadamente o asseguramento de uma maior representabilidade do continente africano no Conselho da Segurança da ONU.
Os esforços diplomáticos visam também desenvolver a cooperação económico-comercial, tendo em consideração os desafios nesta esfera. Guiada pelo princípio "soluções africanas para problemas africanos", a Rússia tem muito para oferecer: das competências das empresas de tecnologias avançadas à criação de parcerias regionais de alta eficiência, tais como a União Económica Euroasiática, cujas vantagens destaquei, em Novembro, no artigo "Do Globalismo ao Regionalismo: Como se adaptar ao sistema económico multipolar" no jornal Expansão. Aliás, não é por acaso que o Ministro das Relações Exteriores de Angola, Téte António, em entrevista ao canal televisivo russo RT, reafirmou que, entre as prioridades de África no aprofundamento da cooperação com a Rússia, estão a industrialização, a diversificação da economia e a independência alimentar.
Tem-se desenvolvido a dimensão humanitária. A Rússia continua a aumentar as quotas para os estudantes africanos, sendo que, para os alunos angolanos, esse número está entre os mais elevados no continente. Ao mesmo tempo, tentamos encontrar respostas para a procura cada vez maior do ensino da língua russa. Neste contexto, é de destacar os cursos intensivos, organizados em articulação com a nossa Embaixada, na Universidade Agostinho Neto, que gozaram do grande sucesso.
Resumindo, gostaria de sublinhar que o vector africano da diplomacia russa moderna serve um exemplo bem patente do que é a parceria baseada no respeito e benefício mútuos. A nossa interacção com os Estados da região continua a manter o alto nível de confiança e corresponde plenamente aos interesses profundos tal da Rússia, como dos nossos amigos africanos.
Angola, o nosso país amigo de longa data, ocupa um lugar especial neste contexto, e os contactos com os parceiros angolanos comprovam isso muito visivelmente. Vou dar um exemplo só, o mais recente.
Há poucos dias, nas vésperas do Dia do Diplomata, o Ministro das Relações Exteriores, Téte António, concedeu-me uma audiência na sede do MIREX, o que se contextualiza no quadro do reforço das relações de amizade e de cooperação bilateral entre os nossos dois países.
Da minha parte, apresentei ao chefe da diplomacia angolana um conjunto de iniciativas que pretendemos implementar ao longo do ano em curso, visando o fortalecimento das relações bilaterais. Abordámos diversos assuntos de interesse comum, discutimos a situação actual e as perspectivas do desenvolvimento da cooperação bilateral em várias áreas, inclusive a interacção nos domínios da educação, cultura e desporto, as relações inter-regionais e os esforços conjuntos para a preservação do património histórico. Reiterámos a excelência das relações de amizade e cooperação existentes entre os dois países, priorizando os projectos de desenvolvimento em curso em Angola e as oportunidades de parceria mutuamente vantajosas. Estou grato ao Ministro por esta reunião, que foi importante e útil.
Também venho expressar a nossa sincera gratidão aos parceiros angolanos, em geral, pela cooperação construtiva e pelo apoio constante às iniciativas russas - tanto no plano bilateral quanto na arena internacional, inclusive na ONU. Tal cooperação é uma clara demonstração do elevado nível de confiança mútua e do carácter historicamente especial das nossas relações.
Estamos convencidos de que, juntos (e mesmo juntos nós estamos há décadas), continuaremos a trabalhar de uma forma consistente para elevar a cooperação russo-angolana a um nível ainda mais alto, revelando todo o potencial da parceria nas esferas política, económica e humanitária. Procuramos alcançar os melhores resultados em nome do bem-estar dos povos dos nossos países, do fortalecimento da paz, do desenvolvimento sustentável e de uma cooperação internacional justa.
É precisamente nisso que reside a verdadeira essência da diplomacia moderna - uma diplomacia orientada, antes de tudo, para as pessoas, o seu bem-estar, a sua segurança e um futuro digno.
Viva a diplomacia! Feliz Dia do Diplomata!
*Encarregado de Negócios da Rússia em Angola
A diplomacia russa: o pilar africano
Em 10 de Fevereiro é comemorado na Rússia o Dia do Diplomata - o feriado profissional, estabelecido em 2002 pelo decreto do Presidente Vladimir Putin e celebrado na data de criação, em 1549, do primeiro órgão da diplomacia do nosso país. Tradicionalmente, realizam-se em Moscovo, nas regiões russas e por todo o mundo, eventos protocolares, recepções, mesas-redondas e workshops educativos que têm por objectivo homenagear os fundadores e corifeus da escola diplomática russa, assim como dar mais visibilidade à acção externa da Rússia moderna.

