Este salto quantitativo e qualitativo não aconteceu por acaso. É o resultado de uma visão estratégica clara da Confederação Africana de Futebol (CAF), de um investimento sério na organização, na imagem e na qualidade do espectáculo, e de uma compreensão moderna do desporto como indústria cultural, económica e mediática.
"Mutatis mutandis", este exemplo deve servir de referência para Angola e para as suas principais competições desportivas, em particular no futebol e no basquetebol.
No futebol angolano, a recente parceria com a UNITEL representa um passo importante na direcção certa. Trata-se de uma marca nacional forte, com capacidade financeira, presença mediática e experiência em associar-se a projectos estruturantes. No basquetebol, a UNITEL é já uma parceira histórica da modalidade, enquanto no basquetebol feminino a entrada da Azule Energy simboliza não apenas apoio financeiro, mas também um compromisso com a promoção da mulher no desporto e com a responsabilidade social corporativa.
Estas parcerias não devem ser vistas como simples contratos de patrocínio. Elas configuram uma relação de responsabilidades partilhadas. As federações, os clubes e os organizadores têm o dever de elevar o nível de organização, transparência, comunicação e competitividade. As empresas patrocinadoras, por sua vez, ganham quando o produto desportivo é atractivo, credível e capaz de mobilizar públicos, audiências e emoções.
O exemplo do CAN Marrocos 2025 mostra que quanto melhor for o espectáculo maior será o benefício para todos: para os atletas, que valorizam a sua carreira; para os clubes e federações, que reforçam a sua sustentabilidade; para os patrocinadores, que ampliam o retorno da marca; para os adeptos, que se reconhecem no produto; e para o país, que projecta uma imagem positiva.
Angola dispõe de talento desportivo, de paixão popular e de marcas nacionais e internacionais dispostas a investir. O desafio está em transformar as competições nacionais em produtos modernos, com calendários respeitados, transmissões de qualidade, marketing profissional, arenas atractivas e uma narrativa que valorize os protagonistas.
O CAN Marrocos 2025 abre, assim, uma verdadeira janela de oportunidades. Cabe aos decisores desportivos angolanos saberem aproveitá-la. Não basta ter patrocinadores; é preciso merecê-los todos os dias. O futuro do desporto angolano depende da coragem de fazer melhor, de pensar grande e de assumir que o espectáculo é, hoje, o centro de toda a equação.
Fica aqui o desafio.
*Jurista e Presidente do Clube Escola Desportiva Formigas do Cazenga

