No entanto, ele lembra, a quem o quer desfrutar, algumas lições que têm o seu paralelo nos desafios que enfrentamos no percurso que fazemos no dia-a-dia. Não nos deixemos enganar pela placidez da geografia e preparemo-nos. A subida não é um passeio no parque, assim como não o é a maioria dos empreendimentos sérios que queremos realizar, sejam eles a nível pessoal ou profissional. O estudo prévio, a colecção de informação, a obtenção dos equipamentos adequados, a preparação física, a escolha do grupo certo que nos deve acompanhar e daqueles que nos servirão de guia, são elementos fundamentais para que a peregrinação tenha êxito. Esse esforço prévio é crucial e condição indispensável para que não haja arrependimentos posteriores. Quantas vezes não nos aventuramos em empresas que não tiveram uma preparação adequada e que depois falharam? As conquistas, em particular as que parecem fáceis, têm atrás de si um conjunto de acções que permitiram remover os escolhos do caminho antecipadamente. Que forneceram os instrumentos para que elas se concretizassem naturalmente.

E é importante não esquecer a descida! É preciso não esquecermos que não basta chegar ao topo. Assim como na vida temos que procurar manter o que se conseguiu com o sucesso inicial, o que, na maioria das vezes, é mais difícil que o esforço concentrado no período de motivação máxima que um novo empreendimento normalmente traz consigo, a descida traz desafios inesperados. As valências exigidas, quer a nível físico, quer mentais, são muito diferentes. A hora do dia já é outra e há o cansaço acumulado. Nós já não somos os mesmos! Outras qualidades são exigidas. A perseverança pode ser mais importante que a força. O espírito de equipa mais necessário que a destreza individual. A descida tem muito para nos ensinar e é talvez a grande lição que devemos aprender com cuidado. A suavidade do morro não significa facilidade da empreitada. E o sucesso está na capacidade de conseguirmos dar os pequenos passos que nos permitem vencer o desafio.

O morro do Moco deveria ser um dos nossos símbolos mais queridos. O importante não é termos momentos de grandeza, o que pode acontecer com muitos, mas ser grande.

Isso exige um esforço continuado, e isso é que é realmente difícil.