Num Estado Democrático e de Direito, a actividade dos Serviços de Inteligência não pode acontecer sem o escrutínio, a convicção e a ideia de que agem sem cumprimento e respeito à Constituição e às leis vigentes. Hoje, já não devem ser tão secretos e funcionar como estruturas fechadas em sim mesmas e pouco abertos ao mundo à sua volta.
É claro que existem aqueles que agem e desenvolvem a sua actividade com certo secretismo e "baixa visibilidade", mas prefiro a expressão agente ou oficial de inteligência a espião, serviços de informações ou de inteligência a propriamente serviços secretos. Também os tempos e abordagens hoje exigem que os rótulos de "alicate", " bufo" ou bófia comecem a ser colocados de lado e se comece a olhar para os "Serviços" como instituições úteis e necessárias para a defesa da soberania nacional, defesa do Estado e afirmação da democracia.
Hoje SINSE (Serviço de Inteligência e Segurança do Estado), SIE ( Serviço de Inteligência Externa ) e SISM ( Serviço de Inteligência e Segurança Militar) precisam numa vertente interna de cooperar, coordenar e comunicar mais entre si para bem e segurança do Estado evitando também os permanentes conflitos fraticidas pelo controlo dos "Serviços" numa logica de poder, protagonismo e defesa de egos. Numa vertente exterior precisam de se abrir mais aos olhares do publico ( principalmente SINSE e SIE), partilhando os objectivos, visões e missões, fazendo o publico perceber que estão ao serviço da democracia, do Estado de direito e da nação.
Hoje, também deixo um desafio pertinente, que é uma nova abertura e abordagem dos "Serviços" com o Jornalismo. Somos as chamadas "fontes abertas" para a sua actividade e ambos usamos a informação como ferramenta de trabalho, mas existe um desconhecimento sobre a actuação, importância ou relevância um do outro. Mesmo até em períodos críticos, podem e devem ambos actuar na defesa da Nação. Criam-se rótulos, desconfianças e bloqueios dos dois lados.
Não se conhecem, não se aborda e nem se discute em que áreas podem ambos discutir e analisar e em que áreas devem manter a sua liberdade e independência. Hoje é fácil verificar que os "Serviços" e muitos dos seus agentes lidam mal com o escrutínio e avaliação jornalística, consideram-se uma zona proibida e que não deve ser " exposta" na comunicação social". Um jornalismo sério, atento e responsável é e será sempre uma mais-valia para os "Serviços" e vice-versa.
Faz-nos falta uma cultura de inteligência e de segurança. Precisamos de deixar cair tabus e lidar com escrutínio feito a um serviço público e do interesse nacional. Nos EUA, os diferentes Presidentes sempre usaram a CIA para oferecer à população norte- americana um sentimento de segurança. Não deve cair o "carmo e a trindade" quando o Jornalismo tem um olhar sobre os "Serviços", devendo eles devolver com um novo olhar sobre o público. É preciso que abram o armário e tirem o esqueleto que por lá existe. É um desafio pertinente e exigente.
