UNITA-JURA: Mfuka Muzemba suspenso
O mais novo secretário-geral da Juventude Unida Revolucionária de Angola (JURA), Mfuka Mfuakaka Muzemba, de 32 anos, eleito em 2010, terá pedido à direcção da UNITA a criação de uma comissão de inquérito para averiguar várias acusações que pesam sobre si. Os órgãos do partido satisfizeram o pedido e Mfuka acabou suspenso, até que seja concluído o processo.
Entre as acusações que pesam sobre o líder da JURA constam a de ter solicitado vistos para cidadãos estranhos à estrutura partidária e ter recebido do genro do presidente da República, Bento dos Santos «Kangamba», somas avultadas de dinheiro para não se relacionar com os jovens que têm organizado manifestações antigovernamentais na capital.
O Novo Jornal apurou ainda que Mfuka é acusado de ter escrito ao vice- presidente da República, Manuel Domingos Vicente, e ao ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, Kundy Payhama, a solicitar apoio para o seu casamento.
O comunicado final da V reunião do comité permanente da UNITA, em que o visado foi ouvido, diz que, desde Julho de 2012, membros do comité nacional da JURA, constataram, com preocupação, significativas alterações na conduta cívica e política de Mfuka Mfuakaka Muzemba, secretário-geral desta organização juvenil da UNITA.
Mfuka Muzemba clamou pela sua inocência e, para prová-la, solicitou a realização de uma sindicância às denúncias das alegadas infracções. O comité permanente aprovou a proposta numa reunião extraordinária, realizada em Abril último.
A sindicância foi concluída em 24 de Junho, tendo o respectivo relatório produzido provas documentais e testemunhais que constam das actas que sustentam o referido documento. Outras evidências foram apreciadas pela direcção do partido e submetidas à V reunião do comité permanente para deliberação, nos termos dos estatutos e regulamentos da UNITA.
Indícios de graves violações
Segundo o comunicado, sobre Mfuka Muzemba existem fortes indícios de graves violações dos estatutos da UNITA e da JURA e respectivos regulamentos internos, algumas das quais configuram factos puníveis pela Lei Penal da República de Angola.
De acordo ainda com o comunicado, Mfuka Muzemba terá feito o uso de forma abusiva e fraudulenta do timbre e carimbo de um órgão da UNITA junto da embaixada portuguesa para obtenção de vistos de entrada em Portugal para cidadãos estranhos ao partido, em troca de dinheiro.
O secretário-geral da JURA terá tido igualmente, compromissos inconfessos com o Sr Bento dos Santos Kangamba e seu elenco, nomeadamente o director de gabinete deste e Gabriel Veloso, assessor de imprensa deste, para inviabilizar a concretização dos objectivos da justa luta da juventude angolana em troca de benefícios pessoais.
O documento refere ainda que o acusado terá praticado o suborno, falsas declarações, abuso de poder e corrupção activa e passiva.