Os investigadores regressam ao terreno para aprofundar o conhecimento sobre a pré-história humana no sudoeste angolano com um conjunto de iniciativas nos dolomitos da Leba e grutas da Humpata

A missão decorre em estreita parceria com o Instituto Nacional do Património Cultural, entidade responsável pela salvaguarda, gestão e valorização do património cultural angolano.

O trabalho de campo conta com o acompanhamento institucional de Emanuel Caboco, director-adjunto do INPC, reforçando a importância da articulação entre investigação científica, protecção patrimonial e valorização dos sítios arqueológicos nacionais.

Um dos pontos centrais desta campanha é a Gruta da Leba, recentemente classificada como Património de Interesse Nacional, reconhecimento que sublinha o seu valor científico, histórico e cultural.

Esta classificação representa um passo fundamental para a protecção de todas as grutas da Humpata e para a promoção de novas investigações que permitam compreender melhor a sua relevância no contexto da pré-história africana.

A campanha reúne investigadores angolanos e internacionais em torno de um programa científico dedicado ao estudo de contextos arqueológicos e paleoantropológicos na região dos dolomitos da Leba, o que significa a procura de vestígios da evolução da evolução humana nesta geografia.

Durante cerca de um mês, a equipa encontra-se a desenvolver trabalhos de campo nas Grutas da Humpata e no Museu Regional da Huíla, abordando de forma integrada os achados arqueológicos e paleontológicos.

Desde 2018, o projecto PaleoLeba tem vindo a contribuir para colocar Angola no mapa das grandes questões sobre a evolução humana em África, ao investigar vestígios que podem ajudar a compreender melhor as populações que habitaram esta região há dezenas ou mesmo centenas de milhares de anos.

Com uma equipa multidisciplinar liderada pela arqueóloga Daniela Matos do Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa, a campanha agora em curso pretende reforçar esse conhecimento, cruzando dados arqueológicos e geológicos.

A equipa espera que esta campanha permita abrir novas linhas de investigação e reforçar a importância de Angola nos debates científicos internacionais sobre as origens e a história profunda da humanidade.

A região da Leba, conhecida pelas suas formações geológicas e paisagens marcantes, tem revelado um elevado potencial para o estudo da pré-história africana. Os dados recolhidos nestas campanhas pretendem ajudar a esclarecer aspectos importantes sobre a evolução ambiental, assim como a cultura, modos de vida, a mobilidade e a adaptação das populações antigas.

Com esta missão, o projecto PaleoLeba reafirma a relevância do património arqueológico angolano e a necessidade de continuar a investir na sua investigação, protecção e divulgação pública, em colaboração com as instituições nacionais responsáveis pela sua preservação.

Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa*