Enquanto esperam uma indemnização do Ministério do Ambiente pelas peças de marfim que deixaram de poder vender a partir de 5 de Junho - data em que entrou em vigor o decreto governamental que proíbe o comércio de marfim no país -, os comerciantes do mercado de artesanato do Benfica continuam a negociar o material no próprio local.

Apesar de as peças proibidas não estarem expostas sobre as bancadas, o Novo Jornal online encontrou, camufladas em caixas de ferramentas convertidas em cofres, dezenas de colares, pulseiras e anéis de marfim.

"As estatuetas estão noutro sítio porque são maiores e é preciso ter cuidado", explica um dos vendedores, consciente dos riscos de contornar a lei. "[As autoridades] vieram proibir, disseram que é crime, que iam pagar o prejuízo mas até agora nada...só que precisamos de comer", justifica o comerciante, que acusa o Governo de ter criado esta situação.

Embora reconheça que ainda é preciso determinar o destino a dar às peças que foram retiradas do mercado, o coordenador da Unidade Contra Crimes Ambientais, José Rodrigues, garante que o processo estará encerrado até ao final do ano.

"Estamos à espera do instrutivo para avançarmos para a recolha em definitivo do material que ainda está na posse dos vendedores", disse o responsável, em declarações ao Novo Jornal online.

Lembrando que essa operacionalização exige recursos financeiros, o coordenador da Unidade Contra Crimes Ambientais lembra que a conjuntura macroeconómica não tem permitido uma resposta mais célere.

Para contornar estas dificuldades, José Rodrigues refere que o Executivo tem programadas reuniões com organizações internacionais para mobilização de apoios, que permitam, por exemplo, indemnizar os comerciantes.

Igualmente dependente de legislação complementar está a implementação de piquetes nos aeroportos nacionais, para travar o comércio ilegal de marfim no país, apontado como um ponto de passagem das rotas de tráfico internacional, num percurso crítico em que os voos da República Democrática do Congo, do Dubai, da África do Sul e da Etiópia sobressaem.

O controlo deverá avançar até ao final do ano em Luanda, no terminal doméstico e no aeroporto internacional, prevendo-se, já no início de 2017, a extensão da medida a Cabinda e Santa Clara, identificadas como duas fronteiras muito vulneráveis.