É que as mais de 3.220 mortes associadas a quase 6.870 infecções confirmadas laboratorialmente são números que fazem da 17ª epidemia de Ébola, cujo alerta oficial ocorreu a 15 de Maio, mas há dados que apontam para que tenha sido em Janeiro, é já a mais letal de sempre na RDC.
Os dados que são actualizados semanalmente pelas autoridades sanitárias congolesas apenas confirmam aquilo que já se sabe há algumas semanas: é a mais mortífera de sempre no país, parece não haver nada que a trave e o receio da sua globalização cresce dia após dia.
Por detrás destes números aterradores está a inexistência de uma vacina ou tratamento eficaz contra o vírus Bundibugyo, a estirpe por detrás desta epidemia, a única, das quatro conhecidas em humanos, para a qual não existe tratamento reactivo ou preventivo.
Mas não menos relevante é a predominância no leste da RDC, como um pouco por todo o continente, de uma cultura ancestral que mistura crenças em feiticismo com aversão à ciência moderna, que afasta os doentes dos centros de tratamento especializados e os atira para as mãos de curandeiros que Apenas ajudam ao alastramento da infecção.
E é por isso que, de acordo com o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) de Kinshasa, o número de casos registados até ao momento chegou aos 6.686, sendo que 1.563 doentes recuperaram e 3.226 morreram, o que se traduz numa taxa de letalidade de 48,3%.
No relatório da autoridade de saúde da RDC acrescentou-se que 819 doentes estão em isolamento ou hospitalizados e a taxa de monitorização dos contactos é de 85,3%, estando a província de Ituri no epicentro da epidemia de Ébola.
Até ao momento, seis províncias continuam afetadas pelo surto: Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Alto Uélé, Baixo Uélé e Tshopo.
A província de Kivu do Sul não registou novos casos confirmados há 97 dias.
O instituto de saúde indicou ainda que 15 pessoas recuperaram nas últimas 24 horas, sublinhando que as ações de vigilância, assistência médica e medidas de prevenção continuam a ser reforçadas nas zonas afetadas.
A RDC, que em dezembro de 2025 decretou o fim de outra epidemia na região de Kasai, é considerado o país com mais experiência do mundo na gestão do Ébola, tendo enfrentado mais de uma dezena de surtos e epidemias desde que o vírus foi identificado, em 1976.
O vírus do Ébola é transmitido por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e causa febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragia interna.














