Trata-se de uma estirpe rara da doença baptizada com o nome Budinbugyo, distrito onde foi identificada no Uganda em 2007.
Desde o início do surto, em Maio de 2026, o Ministério da Saúde congolês alertou para o perigo desta epidemia devido à circulação intensa nas áreas mineiras, às falhas no sistema de saúde e ao diagnóstico tardio.
Por essa razão, a Ébola tem apresentado um ritmo de propagação recorde. As 2.325 mortes registadas aconteceram quase três vezes mais depressa do que no surto de 2014-2016, na África Ocidental, que continua a ser o pior de sempre a nível mundial, com 11 mil mortos e 28 mil infectados, segundo dados citados pela Lusa.
Outro aspecto a ter em conta é que esta crise já saiu de África e chegou à Europa.
As autoridades europeias confirmaram o primeiro caso importado ligado ao surto no leste congolês, depois de um médico francês ter estado na RDC a ajudar as equipas internacionais a combater a 17ª epidemia de Ébola registada no país.
O caso reacende o alerta para o risco de propagação internacional, numa altura em que seis das 26 províncias congolesas reportam pacientes.
A juntar a isso, decorre neste momento uma greve de profissionais de saúde que exigem o pagamento prometido pelo Governo da RDC. Em simultâneo, prosseguem ataques de grupos rebeldes, enquanto as autoridades locais apontam outro travão grave: as crenças esotéricas e o feiticismo.
Os rituais tradicionais, a resistência às equipas de enterro seguro e a desinformação nas redes sociais têm feito com que muitas famílias escondam doentes e rejeitem o tratamento, acelerando o alastramento da doença.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o vírus terá circulado primeiro no leste do território congolês em Fevereiro. Já um estudo da revista "Science", divulgado em Julho e citado pela imprensa internacional, defende que a transmissão terá começado ainda em Janeiro.
A variante de Budinbugyo tem uma taxa de letalidade entre 30% e 50%. Até agora, não existe vacina aprovada nem medicamento específico para a combater.
O Ébola transmite-se pelo contacto directo com sangue, secreções ou outros fluidos de pessoas e animais infectados e provoca febre hemorrágica, vómitos, diarreia intensa e hemorragias internas, conclui a mesma fonte.









