A Policia deve garantir a segurança e protecçãodos cidadãos. Tratando-se de uma acção que seja em prol do restabelecimento ou manutenção da ordem pública, este deve ser o seu papel. Não se quer uma polícia totalmente desarmada no exercício da ordem e da tranquilidade pública. Não! O que é preciso é que tenhamos uma Polícia com mentes desarmadas, ao serviço do Estado e dos seus cidadãos. A Polícia Nacional precisa, ela própria, de fazer um resgate... resgatar a confiança dos cidadãos e resgatar o sentimento de segurança. o medo ou terror imposto aos cidadãos não a fará conquistar o respeito; a lei da bala ao invés do diálogo será sempre uma ferida aberta na dignidade e integridade das pessoas, é algo que lhes retira humanidade. Os polícias em determinado momento regressam à casa e despem a farda, são também cidadãos como nós, sabem fazer juízos e sabem que estão a ser ajuizados. A proximidade e a protecção deve ser um novo paradigma da policia. A proximidade, mais do que uma política necessária, é um valor intrínseco às polícias urbanas. Que haja pedagogia na actuação quotidiana da Polícia. Uma critica que fiz ao ministro Eugénio Laborinho e que a mantenho com o ministro Manuel Homem é a de que temos um Ministério do Interior que investe mais em polícia de repressão e intimidação do que numa policia de assistência e protecção civil. Se por um lado temos uma Polícia de Intervenção Rápida a encher o peito e a fazer demonstrações públicas das suas forças e meios, por outro lado temos os Serviços de Protecção Civil e Bombeiros praticamente "despidos" de meios, e alvo de chacota nas redes sociais face à incapacidade de actuar quando necessário. É uma realidade... se temos a Polícia de Guarda- Fronteiras com incapacidade de se guardar a si mesma, quanto mais controlar fronteiras!
Angola tem de arrancar decididamente em direcção ao futuro. Não se pode manter tudo como está, também não se pode virar tudo ao avesso. Os partidos políticos vivem fragmentações internas e crises de lideranças. Estamos a assistir a um esgotamento do nosso sistema politico; é necessário lutar pelo regular funcionamento das instituições democráticas, sobretudo porque hoje em Angola a imprensa, certa sociedade civil e instituições públicas que deveriam ser mediadores tornaram-se também parte da disputa pelo poder. A política angolana assemelha-se cada vez mais a um restaurante onde se encontram três menus diferentes preparados na mesma cozinha: os molhos mudam, os slogans também, mas o prato(utensiílio) continua desesperadamente o mesmo! As disputas partidárias dão, por vezes, a impressão de um campeonato em que as equipas vestem uniformes diferentes, mas jogam segundo as mesmas regras. Esta batalha na rua dos cães é um sinal de que a democracia em Angola ainda não está suficientemente consolidada. Nestas situações, o Presidente da República , João Lourenço não pode ser uma figura ausente, fria e distante. Ele tem de fazer sentir o seu nome, poder e autoridade. Tem de mostrar que é uma instituição de soberania e que está acima de toda e qualquer querela partidária. Um pai não pode ter os filhos em casa a lutar entre si e não agir ou a fingir que não está a ver. O Presidente da República tem de ser um exemplo da afirmação da democracia. Tem de agir, tem de actuar e orientar. Não pode deixar estes vazios de comunicação nos quais se aproveitam para fazer a manipulação e a desinformação. A justificação surge por um texto espalhado nas redes sociais e assinado por uma figura sem existência física e sem rosto? Quanto o governador do Uige ao seu nível se devia pronunciar, o Ministro do Interior também, o Ministro das Relações Exteriores devia chamar os membros do corpo diplomático acreditado no nosso país e fazer- lhes um esclarecimento, despirem a capa partidária e assumirem uma postura de Estado. Temos de mudar de postura e atitude. Senão, continuaremos a ter batalhas na rua dos cães, dos gatos, das baratas, dos ratos e dos porcos, tudo para manifestar a nossa crescente animalidade perante uma cada vez mais preocupante ausência de racionalidade. Quando devíamos ter cada vez mais nível e mais elevação no debate politico surgimos com estes níveis de violência e intolerância , em que a questão que prevalece nesta disputa politica é que nos habituamos a ouvir nos bairros e durantes as disputas entre os adolescentes e jovens: 2quem é você na rua dos cães?"
