Por ocasião da data, que se assinala esta quinta-feira, 17, os dois partidos defendem o reconhecimento de Jonas Savimbi, fundador da UNITA, e de Holden Roberto, fundador da FNLA, sublinhando que o contributo destes nacionalistas para a libertação do País foi marginalizado.

Este é o posicionamento do nacionalista Ernesto Mulato, influente membro da UNITA, que disse ao Novo Jornal que enquanto houver um só herói nacional o País não avança.

"O País tem que ter muitos heróis. Holden Roberto e Jonas Savimbi tiveram um papel preponderante para a independência de Angola", realçou, frisando que, na lógica do MPLA, o País é sua propriedade e todos os outros devem agradecer.

De acordo com o político, mesmo sendo herói nacional, Agostinho Neto também não é valorizado, porque a sua figura resume-se apenas às comemorações oficiais de 17 de Setembro. O Estado, apontou, dá destaque político à data, mas negligencia o debate amplo sobre a História nacional.

Para Ernesto Mulato, "a história de um único partido não deve ser imposta a toda a Nação", defendendo uma abordagem mais inclusiva que celebre e reabilite o contributo de todos os nacionalistas que lutaram contra o colonialismo português.

Por sua vez, o nacionalista e líder histórico da FNLA, Ngola Kabangu, sustenta uma perspectiva integradora e de reconciliação nacional sobre as celebrações do 17 de Setembro.

Argumenta igualmente que a comemoração oficial da data, focada exclusivamente na figura de Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola, peca por ser "exclusivista" do ponto de vista político.

"Holden Roberto e Jonas Savimbi são co-fundadores do Estado angolano e são dois patriotas que continuam a ser excluídos", lamentou, apelando ao Executivo para que assuma as suas responsabilidades para uma genuína reconciliação nacional.

A província do Cuanza-Sul acolhe, esta quinta-feira, 17, o acto central das celebrações do Dia do Herói Nacional, em alusão aos 104 anos do nascimento do primeiro Presidente da República de Angola, Agostinho Neto.