Pelouro liderado pela ministra Carmen dos Santos impõe uma série de requisitos técnicos para o uso do plástico na produção de sal marinho, já com várias dezenas de unidades fora de cena, encerradas por outros motivos. Há empresas, ainda assim, que prometem não mais regressar à Cidade do Sal, na província que assegura 80 por cento da produção nacional.
As unidades encerradas, no fecho de uma operação policial com detenções de cidadãos angolanos e estrangeiros, optavam pelo plástico, mas foi a falta de documentação, segundo a Polícia, a determinar a medida.
Agora, numa circular a que o NJ teve acesso, datada de 31 de Dezembro de 2025, o Ministério das Pescas e Recursos Marinhos explica que as geomembranas (lonas plásticas) foram postas em causa num "contexto de risco para a saúde pública", salientando, todavia, que o uso deve ser feito em obediência a requisitos técnicos e higio-sanitários.
O documento, assinado pela directora nacional de Pescas e Sal, Fátima Delicado, salienta que havia proliferação de unidades não licenciadas com uso indiscriminado das geomembranas, que são mantas flexíveis usadas para criar barreiras impermeáveis em obras de engenharia.
Outra nota de realce nessa medida do Ministério das Pescas e Recursos Marinhos, que promete reforçar a fiscalização, é que o controlo laboratorial e a iodização serão obrigatórios.
O Novo Jornal apurou que algumas salinas de empresários asiáticos trabalham já para conformar a documentação à legislação afim, ao passo que outras, fazendo contas aos prejuízos, preferem desistir.
No período entre o encerramento das unidades, na Cidade do Sal, localidade do Chamume (município da Baía Farta), e a posição do pelouro dirigido pela ministra Carmen dos Santos, a Polícia apreendeu 1.300 sacos de sal produzidos numa salina supostamente sem certificação.
O uso de lonas plásticas foi apontado como um elemento a asfixiar produtores nacionais, que se queixavam de concorrência desleal devido à diferença entre os custos de produção e o preço de venda no mercado.
Ao NJ, o presidente da APROSAL, Totas Garrido, prometeu uma reacção "em breve", mas antecipou já que "pessoalmente posso dizer que o caminho é errado e as consequências serão sérias".
Vários membros da Associação apontam para consequências ambientais e a segurança alimentar (factor qualidade), sustentando a tese de que a produção de sal deve ser feita de forma orgânica e sobre a argila.
Dados disponíveis indicam que o País produz 240 mil toneladas/ano, sendo 90 mil para o consumo humano e 150 mil toneladas para a indústria, quando o Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) indica como necessidade 340 mil toneladas por ano.
Apenas três das dezasseis empresas que formam a APROSAL reúnem condições para vender o produto à indústria petrolífera, vista como um importante nicho de mercado.
No fecho do ano 2025, o Grupo Adérito Areias, o maior produtor nacional, ensaiou, por via do Corredor do Lobito, uma exportação para São Tomé e Príncipe.

