Estas duas empresas estratégicas do Estado angolano, além da dívida - 90 mil milhões a EPAL e 180 mil milhões a ENDE -, têm ainda entre mãos a questão da vandalização de equipamentos que resultaram em mais de 650 milhões de kz de despesa extra.
EPAL e ENDE asseguram que boa parte das instituições do Estado estão já a ter a cultura de pagarem a dívida, mas lamentam o facto destes pagamentos não serem feitos com regularidade e alertam que a vandalização dos seus equipamentos, que são indispensáveis para servir as populações, lhes tem tirado o sono.
"Os nossos clientes têm uma dívida acima dos 180 mil milhões de kwanzas", revelou durante um debate televisivo, na Televisão Pública de Angola, o administrador executivo da ENDE, Pedro Buca.
A EPAL através do seu administrador executivo, Enoch da Costa, no mesmo debate, afirmou que os clientes da empresa devem 90 mil milhões de kz e que a EPAL sente falta deste valor para investimentos essenciais.
Tanto a EPAL como a ENDE garantem que são muito afectados pelas constantes vandalizações de bens públicos nas suas redes.
A Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade é a mais afectada com o "fenómeno" da vandalização de bens e, só de Janeiro a Outubro deste ano, teve um prejuízo acima dos 400 milhões kz.
A EPAL neste período registou uma perda de 250 milhões de kwanzas, só na reposição dos materiais furtados e vandalizados.
No que toca ainda à vandalização de bens públicos, a ENDE garante que a província de Luanda é onde se regista o maior número de casos e os municípios do Cazenga, Cacuaco e de Viana são os territórios que lideram nas vandalizações.
Quanto às elevadas dívidas, tanto ENDE como a EPAL reconhecem que as instituições estatais são as que mais contribuem para este problema.
Os administradores Pedro Buca e Enoch da Costa reconhecem que as instituições do Estado não pagam as suas dívidas com regularidade e apelam para que as mesmas o façam, para aliviarem os encargos.
Para a redução da dívida, as duas empresas asseguram que vão continuar com as campanhas de sensibilização e acordos de pagamento com os clientes.
As duas empresas admitem que as dívidas os preocupam e entendem que o não cumprimento da mesma inviabiliza a execução de vários investimentos essenciais para melhorar a qualidade e a regularidade do serviço que prestam.

