São vinte e dois os pontos do País eleitos para a construção dos silos que vão armazenar grãos, com primazia para as províncias do Corredor do Lobito (CL), no quadro de um projecto agrícola financiado pelos Estados Unidos da América, avaliado em mil milhões de dólares.
Em visita a Benguela, onde chegou de comboio proveniente do Huambo, na noite de ontem, o embaixador americano em Angola e São Tomé e Príncipe, James Story, realça os Estados Unidos apoiam a iniciativa cientes de que as infra-estruturas e os transportes são fundamentais para o desenvolvimento da agricultura.
"Sei muito bem disto, sou de uma família de fazendeiros", justificou o diplomata, que cumpre uma visita, como assumiu já a Embaixada, para marcar posição face à investida da concorrência no Corredor do Lobito.
Em resposta a uma questão colocada pelo Novo Jornal, Story confirmou que uma empresa norte-americana, a Amer-Con, vai ter silos em várias províncias, numa perspectiva de apoiar oportunidades económicas no País.
"Queremos criar um sistema de armazenagem [de grãos], o projecto só agora vai começar", resumiu o embaixador, antes de ter confirmado que o Grupo Carrinho beneficiará, como há muito anunciado, do seu empréstimo.
Em causa estão, sabe o NJ, 150 milhões de dólares, para infra-estruturas com capacidade para armazenar 120 mil toneladas de grãos, como milho, soja, arroz, trigo e feijão.
O financiamento chega da DFC, Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA, a mesma entidade que empresta 553 milhões de dólares à empresa Lobito Atlantic Railway (LAR), concessionária dos serviços ferroviários e logística do Corredor do Lobito.
Na ocasião, o embaixador garantiu que, para além da Carrinho, outras empresas nacionais poderão ter acesso aos financiamentos, ressaltando que "Angola pode ser uma referência agrícola a nível da região e do mundo".
Vários actores da sociedade civil insistem que este financiamento deve chegar a produtores familiares, uma franja que perdeu bastante, por exemplo, com o desmantelamento da Agência Norte-americana para a Cooperação Internacional (USAID), que vinha apoiando mais de vinte mil mulheres camponesas.
O anúncio de James Story, em visita à província de Benguela ao lado de outros embaixadores e de um representante das Nações Unidas, surge pouco depois de a União Europeia ter avançado com 50 milhões de euros para cadeias de valor agrícola no Corredor do Lobito.
Desminagem, electrificação de cidades, por via de uma rede fotovoltaica, construção de pontes e exploração de minerais críticos são outras áreas com apoio dos Estados Unidos da América.
Corredor do Lobito
O Corredor do Lobito é o primeiro corredor económico estratégico lançado sob a égide da Parceria para as Infraestruturas e Investimento Global do G7 (PGI), em Maio de 2023.
À margem da Cimeira do G20 de setembro de 2023 em Nova Deli, a União Europeia e os EUA realizaram uma declaração conjunta no sentido de unir esforços para apoiar o desenvolvimento do Corredor.
A União Europeia defende que o Corredor do Lobito vai desbloquear o enorme potencial da região, reforçar as possibilidades de exportação para Angola, República Democrática do Congo (RDC) e Zâmbia, e criar valor acrescentado e empregos através de investimentos e medidas leves.
A UE e os EUA assumem um papel de co-direção no apoio ao desenvolvimento do Corredor, incluindo investimentos em infraestruturas, medidas leves para facilitação do comércio e do trânsito, investimentos em sectores relacionados para fomentar um crescimento sustentável e inclusivo, e investimentos de capitais (cadeias de valor agrícola, energia, transporte/logística, educação e formação técnica e profissional) ao longo do Corredor em Angola, na RDC e na Zâmbia.
A UE e os EUA assumem um papel de co-direção no apoio ao desenvolvimento do Corredor, incluindo investimentos em infraestruturas, medidas leves para facilitação do comércio e do trânsito, investimentos em setores relacionados para fomentar um crescimento sustentável e inclusivo, e investimentos de capitais (cadeias de valor agrícola, energia, transporte/logística, educação e formação técnica e profissional) ao longo do Corredor em Angola, na RDC e na Zâmbia.
Em Janeiro de 2023, os ministros responsáveis pelos Transportes e Desenvolvimento do Corredor de Angola, da RDC e da Zâmbia, com apoio e coordenação do Secretariado da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), assinaram o Acordo da Agência de Facilitação do Trânsito do Corredor do Lobito (LCTTFA). O Acordo LCTTFA pretende criar uma rota eficiente que facilite o transporte de bens dentro dos territórios dos três Estados Membros do Corredor, através da harmonização de políticas, leis e regulamentos; estratégias de desenvolvimento e atividades respeitantes à infraestrutura do corredor conjuntas e coordenadas; disseminação de dados respeitantes ao trânsito e informação de atividade empresarial; e implementação de instrumentos facilitadores de comércio
O objetivo é apoiar uma maior participação das Pequena e Médias Empresas nas cadeias de valor empresarial, sobretudo na agricultura e mineração, com vista a aumentar o comércio e o crescimento económico ao longo do Corredor do Lobito e da Região da SADC.
Durante o Fórum Global Gateway, em Outubro de 2023, a UE e os EUA assinaram - em conjunto com Angola, a RDC, a Zâmbia, o Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB) e a Africa Finance Corporation (AFC) - um Memorando de Entendimento (MoU) para definir os papéis e objetivos para a expansão do Corredor.
Quando a infraestrutura de transportes que ligar os três países estiver completamente operacional, a linha irá aumentar as possibilidades de exportação para a Zâmbia, a RDC e Angola, reforçar a circulação regional de bens, e promover a mobilidade dos cidadãos. Ao reduzir de forma significativa o tempo médio de transporte, o Corredor vai diminuir os custos logísticos e a pegada carbónica para a exportação de metais e de produtos agrícolas, bem como de outros produtos e ainda para o futuro desenvolvimento de descobertas de minerais.
São parceiros neste projecto a Comissão Europeia, o Governo dos Estados Unidos da América, o Governo da República da Zâmbia, o Governo da República de Angola, o Governo da República Democrática do Congo, o Banco Africano de Desenvolvimento e a Africa Finance Corporation.