E a resposta do Irão foi imediata, avisando que se Israel não respeitasse o cessar-fogo também no Líbano, o Estreito de Ormuz voltaria a ser fechado para os petroleiros, e o resultado foi que Telavive manteve os ataques e Teerão fechou o canal por onde é escoado 20% do crude e do gás mundiais.
Com este desfecho, que ao final do dia desta quarta-feira, 08, ainda não tinha desaguado no fim oficial do cessar-fogo, mas para lá se encaminhava em passo acelerado, é previsível que a coligação israelo-americana retome os ataques e as ameaças ao Irão.
Para já, como estão a avançar vários analistas, a incerteza é a palavra mais presente nas discussões em curso tanto nos media tradicionais como nas redes sociais, até porque, ao que tudo indica, algo de essencial parece ter-se perdido na tradução do farsi para inglês dos 10 pontos do plano iraniano.
E a questão da frente libanesa deste conflito alargado no Médio Oriente, pelo menos na leitura de Israel, parece ter evaporado da lista lida pelo Governo de Benjamin Netanyhau, que, como é sabido, não foi ouvido no preâmbulo do cessar-fogo, que vai contra os seus interesses imediatos...
Todavia, tanto o Irão como o Paquistão, que intermediou as discussões para o cessar-fogo, não tiveram dúvidas de que a questão libanesa estava abrangida pelo documento iraniano, o que gerou a fúria israelita e, depois, como também se esperava, Donald Trump assumiu o lado de Netanyhau e também defendeu que essa questão não fazia parte do acordo.
O Irão e os EUA tinham acordado um encontro negocial inicial para a capital paquistanesa. Islamabad, na sexta-feira, 10, mas com este evoluir da situação para o recomeço da guerra, tal encontro está, pelo menos, seriamente comprometido.
Recorde-se que foi a abertura do Estreito de Ormuz que permitiu a maior queda em mais de três décadas no preço do petróleo, passando em minutos de 114 USD, no caso do Brent, para 93 USD.
Provavelmente, na abertura dos mercados na quinta-feira, 09, assistir-se-á a uma reversão deste cenário de normalização dos mercados energéticos.
Os dez pontos do plano iraniano, divulgados pela agência de notícias iraniana TASNIM são estes:
1 - OS EUA garantem que não voltam a atacar o Irão
2 - O Irão mantém o controlo do Estreito de Ormuz
3 - O Irão mantém a capacidade de enriquecer Urânio
4 - Todas as sanções primárias são levantadas
5 - Todas as sanções secundárias são levantadas
6 - Fim de todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU sobre o Irão
7 - Fim das resoluções da "board" de Agência Internacional de Energia Atómica
8 - Pagamento de compensações pelos danos infligidos ao Irão
9 - Saída de todas as forças de combate dos EUA da região
10 - Cessação da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano











