O Presidente dos EUA avançou que o cessar-fogo, que já dura, com intermitências sucessivas, desde Abril, está morto, mas não o enterrou ainda, porque, pressionado pelos jornalistas, admitiu que a sua equipa "pode continuar a negociar" com "aquela gente".
A notícia explodiu esta quarta-feira, 08, nos media internacionais depois de os EUA voltarem a atacar diversas posições no sul do Irão como resposta a ataques alegadamente iranianos, mas não reivindicados, contra navios no Estreito de Ormuz.
Apesar de Teerão não ter assumido a responsabilidade pelos disparos contra três navios do Catar, do Kuwait e da Arábia Saudita que atravessavam o Estreito, a autoria do ataque será certamente do Corpo da Guarda Revolucionária do Irão (IRGC) porque as embarcações estavam a transitar numa rota não autorizada pelas autoridades marítimas iranianas e a ameaça de que nesse caso seriam alvejados estava em cima da mesa.
Até porque este tipo de ataques contra navios infractores já aconteceu no passado seja como retaliação por ataques norte-americanos, seja para impor a condição de controlo sobre esta passagem entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico que Teerão reivindica.
Reivindicação que sustenta no âmbito do Memorando de Entendimento (MdE) assinado com os EUA há cerca de um mês que visa acabar com a guerra a partir dos seus 14 pontos em 60 dias e que Trump usou hoje para dizer que os iranianos "são maluquinhos" por terem assinado um documento que não estão a respeitar.
O que em Teerão também se diz à boca cheia dos norte-americanos, acusando as autoridades iranianas Donald Trump de estar repetidamente a usar as negociações como camuflagem para novos ataques injustificados contra o Irão.
E os factos ocorrem neste contexto contra Washington, porque em Junho de 2025 a coligação israelo-iraniana atacou o Irão a meio de negociações sob mediação internacional, apanhando tudo e todos de surpresa.
E a 28 de Fevereiro deste ano aconteceu precisamente a mesma coisa, tendo israelitas e norte-americanos matado o Líder Supremo aiatola Ali Khamenei, bem como cerca de 40 figuras der todo da hierarquia política e militar do Irão que com eles estavam reunidos em sua casa.
Alguns analistas sublinham que este ataque dos EUA no sul do Irão, ocorrido na madrugada desta quarta-feira, não é semelhante aos demais sob vigência do cessar-fogo e do MdE porque ocorreu durante as cerimónias fúnebres do Líder Supremo assassinado há cerca de quatro meses, que decorrem em Teerão com mais de 10 milhões de pessoas nas ruas.
Com o cessar-fogo moribundo, no mínimo, embora ainda a respirar, porque a delegação americana, disse Trump, vai manter os contactos com a parte iraniana, na outra guerra paralela a esta, a da economia mundial, as explosões multiplicam-se nas diversas frentes.
Nos mercados petrolíferos, o valor do barril estava a disparar mais de 7% a meio da manhã de hoje, para perto da casa dos 80 USD - 78,95 USD às 10:40, hora de Luanda - impulsionado pelo aumento da tensão no Médio Oriente, temendo-se que o Estreito de Ormuz volte a ser encerrado pelo Irão, arrolhando perto de 20% do crude e do gás mundiais no Golfo Pérsico.
E o receio não é injustificado porque só nas últimas 24 horas, foram atacados três petroleiros/metaneiros no Estreito de Ormuz, os EUA vingaram-se atacando 85 posições militares e energéticas do Irão e na resposta, os iranianos bombardearam bases militares americanas no Kuwait e no Bahrein.
Ambos os lados justificam estas acções com a violação do acordo de cessar-fogo pelo lado oposto.
A verdade, como sempre, afogou-se no Golfo Pérsico entre explosões, propaganda, interesses e jogos perigosos com as peças movimentadas a partir de Washington, Telavive e Teerão.
