Questionado pelos jornalistas, após Yuri Ushakov, conselheiro de Vladimir Putin, ter admitido um novo encontro Trump/Putin, com o Presidente chinês, Xi Jinping, o norte-americano disse que sim, porque os EUA "buscam boas relações com todos" e é "bom para os negócios".
Além disso, Donald Trump fez questão de sublinhar que Vladimir Putin aceitará um encontro entre ambos sempre que ele quiser, admitindo que também para si isso é importante, mas deixou claro que essa "cimeira" não deve acontecer enquanto o conflito no Leste europeu se mantiver e o seu fim não estiver "à vista".
O encontro entre os líderes americano e russo, provavelmente num téte-à-téte primeiro e depois em conjunto com Xi Jinping, foi admitido por Ushakov em Bishkek, Quirguistão, na Cimeira da Organização para a Cooperação de Xangai (SCO), onde Putin esteve longamente reunido com Xi Jinping.
E deverá ter lugar na Cimeira da Organização para a Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), a realizar na China, entre 18 e 19 de Novembro, o que significa que Donald Trump quer não apenas reunir com Putin e Jinping sem o peso da guerra da Ucrânia às costas, mas também com o alívio de já não ter as eleições intercalares de 03 de Novembro a "gerir" a sua agenda.
Não é nova a ideia de que Trump quer ver acontecer uma reaproximação entre Washington e Moscovo, depois de a Administração Biden que o antecedeu ter eliminado quase todos os contactos diplomáticos, como de resto ficou claro quando se encontrou com Putin, no Alasca, a 15 de Agosto de 2025.
E explicou porquê: "As relações EUA/Rússia são importantes para o comércio e `eles' têm uma terra muito rica e excelentes oportunidades", mas acrescentou que essa retoma só pode acontecer sem a sombra pesada da guerra na Ucrânia a escurecer esse novo capítulo do relacionamento entre Washington e Moscovo.
Um dos exemplos claros de que Donald Trump procura energizar as relações com a Rússia foi, incomodando os seus aliados europeus, ter mandado convidadar o ministro russo das Finanças, Anton Siluanov, para a reunião do G20, que teve lugar na Carolina do Norte entre os ministros das Finanças deste grupo dos 20 mais ricos do mundo de onde Moscovo tem estado à margem devido ás "sanções" ocidentais devido à guerra na Ucrãnia.
Esta reaproximação entre norte-americanos e russos está há muito obstaculizada pelo conflito no Leste europeu, com a Rússia a manter um finca-pé inamovível quanto ás suas exigências para lhe por um fim, apesar de Trump ter dado sinais de querer remover esse obstáculo.
Especialmente ao ter iniciado um fade out no apoio em armas e dinheiro a Kiev assim que regressou à Casa Branca, em Janeiro de 2025, que o seu antecessor Joe Biden mantinha em modo ilimitado, embora sem se deslocar da posição de aliado dos ucranianos, mas já não de primeira linha como antes, dando esse estatuto aos países da Europa Ocidental.
Em síntese, como explicou Trump na Casa Branca, questionado pelos jornalistas nesta quarta-feira, 02, a resposta se esse encontro deve ter lugar, é "sim" mas condicionado a acontecer no "termpo e no lugar certo", sendo que o tempo certo é após a guerra terminar, "ou estiverem reunidas as condições para um acordo de paz".
E a esse propósito, Donald Trump voltou a mostrar-se optimista quanto a um acordo entre Kiev e Moscovo, sublinhando que o "enorme animosidade" entre Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky é um entrave mas que "é possível ultrapassar", porque se trata de "uma guerra que nunca deveria ter acontecido", repetindo que não teria se ele fosse Presidente quando a Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de Fevereiro de 2022.
Todavia, um encontro entre Putin e Trump só será possível, como notam vários analistas, depois de resolver os mal-entendidos saídos da Cimeira do Alasca, onde, aparentemente, nada do que ali foi acordado teve consequências, faltando perceber porquê, visto que o conteúdo desse acordo permanece até hoje no segredo dos deuses.
É que, de repente, depois de Putin ter confirmado publicamente, no Quirguistão, que a Rússia está a apoiar o Irão na guerra com os EUA, um espelho do apoio dos EUA à Ucrânia na guerra com a Rússia, Trump e o seu homólogo russo passaram a ter uma nova plataforma negocial que tem tanto de potencial como de risco de atear fogo ao "capim seco" por anos de seca na vasta planície diplomática entre Washington e Moscovo.
