E no 23 de Agosto de 2026 fez precisamente um ano que vivemos uma das noites mais dramáticas da história recente do basquetebol angolano.
Foi a 23 de Agosto de 2025, diante dos Camarões, numa meia-final do Afrobasket, que Angola disputou uma partida que ficará para sempre na memória de todos os que amam esta modalidade.
A imagem que ficou foi a das lágrimas de felicidade do Professor Victorino Cunha. Lágrimas douradas que pareciam lavar a alma de toda uma nação. Uma nação que tem pelo basquetebol um amor profundo.
Nos segundos finais, uma falta milagrosa levou o Abbou para a linha de lance livre. O pavilhão inteiro mergulhou num suspense absoluto. Três lançamentos. Bastava um.
Mas, dramaticamente, a primeira tentativa não entrou.
Por um instante, as quase 12 mil pessoas que enchiam o pavilhão apanharam um verdadeiro "treco". O coração de uma nação parou.
E o Dundão acabou por fazer aquilo que, naquele momento, praticamente todos nós tivemos vontade de fazer: "dar uns bafos ao Abbou".
Veio então a segunda tentativa.
Silêncio absoluto.
A bola saiu das mãos de Abbou, viajou lentamente pelo ar e... caiu dentro.
Explosão!
O pavilhão transformou-se num mar de emoção. Abraços, gritos, lágrimas e um sorriso colectivo que atravessou o país. Entre essas lágrimas estavam as do Professor Victorino Cunha, lágrimas que diziam tudo aquilo que as palavras dificilmente conseguiriam explicar.
Estava consumada.
Estava feita a história.
Angola estava de volta à final de um Afrobasket, dez anos depois.
E fazia-o depois de uma meia-final que, pela forma como foi disputada, pela tensão e pela emoção, estava destinada a ser recordada eternamente.
Há jogos que se ganham.
Há jogos que se vencem.
E há jogos que passam a fazer parte da memória colectiva de um povo.
Um pequeno pedaço da nossa história desportiva. Um daqueles momentos que o tempo não apaga.
Hoje, um ano depois, vale a pena recordar os protagonistas.
Honra e glória a todos aqueles que escreveram esta página dourada do basquetebol angolano.
Porque algumas histórias não precisam de ser inventadas.
Nós vivemo-las.
*Jurista e Presidente do Clube Escola Desportiva Formigas do Cazenga
Lei em campo: Recordar é viver
On This Day...É assim que começam muitas das histórias da NBA. Os americanos são exímios contadores de histórias. Sabem como ninguém que há momentos no desporto que merecem ser revisitados, não apenas pelo resultado, mas por tudo aquilo que fizeram sentir.
