Tal como os anteriores relatórios do PNUD, também este analisa o desenvolvimento dos países na lógica do desenvolvimento humano.

Quer isto dizer que entram em consideração três domínios: A SAÚDE, em atenção às expectativas de vida ao nascer e as condições de bem-estar, a EDUCAÇÃO, em que se pondera o acesso a bens e serviços, bem como os anos médios de estudo, para além dos esperados de escolaridade e, por fim, o RENDIMENTO PER CAPITA.

Em concreto, o documento afere se as pessoas vivem mais e melhor, em que condições têm acesso ao conhecimento e à formação e ainda o nível de vida e o acesso a bens e serviços.

A análise destes domínios e dimensões conduz à pontuação dos países e à atribuição de um desenvolvimento humano classificado de muito alto, alto, médio e baixo.

Este último relatório do PNUD respeita ao ano de 2023, com projecções para 2024, registando-se, neste ano, um desenvolvimento geral em desaceleração.

Essa desaceleração tem múltiplas causas, desde o incumprimento da Agenda 2030 nos objectivos traçados, passando pela saída dos EUA do Acordo de Paris quanto ao ambiente, até às consequências da pandemia, às guerras e à deficiente gestão das políticas publicas, entre outras.

O facto é que há estagnação por má utilização dos recursos e ausência de escolhas ousadas.

Por outro lado, a incerteza quanto ao futuro, os crescentes condicionamentos à liberdade, de par com as tensões, entre grandes potências, dificultam a cooperação, num mundo em gestação para uma nova realidade geoestratégica e política.

Daí que os países com desenvolvimento humano baixo estejam a aumentar.

Neste quadro é útil e proveitoso que os responsáveis políticos ponderem na natureza deste desenvolvimento anémico e concebam políticas publicas capazes de lhe darem respostas.

É que a aferição do desenvolvimento dos países apenas pelo PIB esconde, muitas vezes, dificuldades profundas com parte significativa da população com condições muito precárias de vida e de bem-estar.

No que respeita aos países de língua oficial portuguesa quanto à classificação, o Relatório do PNUD indica com alta classificação Portugal, situando-se no 40.º lugar entre 193 países, o Brasil tem a classificação alta e Angola média, situando-se a Guiné-Bissau e Moçambique com a classificação de baixa.

No caso de Angola, do penúltimo para o actual relatório de 2025, há a ascensão de dois lugares na classificação, o que é naturalmente positivo.

Porém, o País tem condições humanas e recursos naturais para vir a subir significativamente de classificação nos próximos anos, se fizer reformas estruturais na economia e tiver em atenção a demografia que está a crescer mais do que o Produto Interno Bruto.

Por mera curiosidade, o país mais bem classificado é a Islândia e o pior o Sudão do Sul, aparecendo com muito alta classificação quatro países de África, a Seicheles, Maurícias, Argélia e Egipto.

Num período em que a riqueza de conhecimento e de tecnologia não tem precedentes, comparado com qualquer outro período histórico, é inaceitável a estagnação e até um óbvio decréscimo no desenvolvimento humano.

As políticas públicas a adoptar têm de responder, como disse, a este estado de coisas, e isso só é possível com opções ousadas, que beneficiem a generalidade dos cidadãos e diminuam a desigualdade, razão pela qual me parece oportuno que os partidos políticos concorrentes às próximas eleições em Angola tenham em muita consideração o desenvolvimento humano.