Resolvi, por isso, trazer à colação neste artigo dois dos conflitos armados em curso, em África, que estão longe de esgotarem o saldo existente no continente.
No actual quadro de incerteza no futuro, como o que se vive, esta não deve ser para África e para os africanos uma questão menor, a exigir, por isso, concentração de esforços para uma abordagem política das instituições e dos responsáveis, para que se ponha termo aos conflitos em causa, que a todos respeitam.
No caso da República Democrática do Congo, o facto de o grupo insurrecional, denominado M-23, apoiado pelo Rwanda, ter assinado um acordo de cessar-fogo com o Governo da República Democrática do Congo, no dia 19 de Julho, no Qatar, está longe de ter tido termo, apesar da pretensão da retirada das zonas ocupadas pelo M-23.
O M23 é constituído, maioritariamente, pela etnia tutsi, vítima de genocídio no Rwanda, em 1994, passando a desenvolver a sua acção na República Democrática do Congo, apesar da presença de uma força de paz da ONU neste país.
Após o acordo outorgado no Qatar, as forças presentes passaram a incriminar-se mutuamente de desrespeito ao cessar-fogo, com a ONU a reconhecer esta situação e admitindo o momento actual que o país vive como "muito crítico".
Até quando?
No Sudão, dois generais rivais, outrora aliados, confrontam-se pelo controlo do país, com consequências dramáticas para as populações, gerando uma das maiores crises humanitárias do mundo.
Em 2019, os dois generais beligerantes, Abdel Fattah Al-Burhan, líder das Forças Armadas do Sudão, e Mohamed Handan Dagala, uma milícia paramilitar que integra uma força de resposta rápida, foram aliados no derrube do ditador Bashir, mas rapidamente passaram a adversários, com as dramáticas proporções que se conhecem.
Pergunta-se também até quando?
Neste caso, a divisão do país assume-se como uma perspectiva realista, enquanto a desumanidade da violentíssima guerra dá pasto a saques e massacres, com milhões de deslocados e milhares de mortos.
Não obstante a importância e consequências do conflito na Ucrânia e na faixa de Gaza, até quando África e os africanos permitirão o que ocorre na República Democrática do Congo e no Sudão?
Sim! Até quando?