Angola é um país cheio de "dores existenciais" onde a escola primária é precária e sem fundamento não tendo sequer lugar para todos. O seu conteúdo está descontextualizado da realidade do país. Uma escola que estupidifica, que não agrega a liberdade de expressão, tão arcaica quanto as escolas que nasceram da revolução industrial no século XIX que apenas pretendia massificar operários. Uma escola que não explora o raciocínio lógico. Uma escola feita para implementar o modelo de repetição exaustiva anulando a curiosidade inata em todas as crianças.

Que futuro terá Angola se as suas crianças estão desnutridas, desabrigadas, descalças, desligadas das políticas sociais de atendimento à infância e sem nenhum mecanismo eficaz que as proteja das violações em todos os sentidos? Para que serve o INAC, o Ministério da Família e Promoção da mulher que não tem nenhum poder nem visão para as defender? O futuro está analfabeto, com fome, sem tecto, sem escolaridade. É doloroso ver centenas de crianças a comerem do lixo e sem qualquer responsabilização política porque as crianças não votam.

É desumano ver o abandono de milhões de crianças, que não comem todos os dias. É desumano ver crianças sentadas em troncos e em pedras a escreverem no colo porque o OGE privilegia o betão e os luxos governamentais. As crianças crescem. Sobrevivem. Adaptam-se. Sem chão e sem Lei. Sem abraços, sem amor. Desenvencilham-se deste tenra idade. Mas estão a acumular amargura, revolta e dor. Estes sentimentos nunca serão propícios ao poder que nunca se importou a ponto de ter tornado as crianças numa prioridade. O mundo está a mudar a uma velocidade sem precedentes. A consciência nacional é de dor, nó na garganta e raiva. O futuro não é dos velhos é dos JOVENS.

Desejo que 2026 seja um ano sem fingimento. Um ano de consciência sobre os 50 anos de Independência e o que os sonhos dela representaram para todos os angolanos que por ela deram a vida. Que neste penúltimo ano de mandato o titular do poder executivo seja consequente com as promessas de 2017 onde exaltou que os pobres seriam protegidos. Não é pedir muito. É apenas cobrar a promessa eleitoral que deve ser respeitada e concretizada.