O autor do livro é acusado de denúncia caluniosa, por ter exposto supostos abusos contra os direitos humanos na região diamantífera da Lunda-Norte. O adiamento da sessão marcada para ontem foi acordado entre a equipa dos advogados de defesa composta por Luís Nascimento e David Mendes e os advogados de acusação, para uma consulta mais aprofundada dos processos.
Contactado pelo NJ depois da sessão de quinta-feira, Rafael Marques de Morais, afirmou que há possibilidade das duas partes entrarem num acordo extra-judicial. Este processo contra o jornalista e defensor dos direitos humanos em Angola arrasta-se há dois anos.
De lembrar que no relatório do Ministério Público da sessão de 24 de Março consta que, o ministro do Interior, Ângelo de Veiga Barros, e o chefe dos Serviços de Inteligência e Segurança do Estado, Eduardo Filomeno Barber Leiro Octávio, reconhecem a existência de violações de direitos humanos e de danos materiais aos garimpeiros da zona diamantífera do Cuango, província da Lunda-Sul.
Esta conclusão foi apresentada no relatório final submetido ao Tribunal Provincial de Luanda, aquando do julgamento do jornalista. No referido relatório, em posse dos advogados do réu, lê-se que "as FAA e a Teleservice, nas suas acções contra os garimpeiros, causaram danos humanos e materiais".
Figuram na queixa-crime contra o jornalista Rafael Marques, Hélder Manuel Vieira Dias Júnior "Kopelipa", ministro de Estado e chefe da Casa MIlitar do Presidente da República; Carlos Alberto Hendrick Vaal da Silva, inspector-geral do Estado-Maior General das FAA; António dos Santos França "Ndalu", deputado do MPLA e ex-chefe do Estado Maior-General das FAA; Armando da Cruz Neto, deputado do MPLA e ex-chefe do Estado Maior-General das FAA; Adriano Makevela Mackenzie, chefe da Direcção Principal de Preparação de Tropas e Ensino das FAA; João Baptista de Matos, ex-chefe do Estado Maior-General das FAA; Luís Pereira Faceira, ex-chefe do Estado-Maior do Exército das FAA; António Pereira Faceira, ex-chefe da Divisão de Comandos das FAA.