Nos 14 anos contemplados no relatório, marcando igual período de tempo após o fim da guerra, em 2002, quando foi possível dar início à desminagem do país, foram retiradas do subsolo pouco menos de meio milhão de minas antipessoal, 26 mil engenhos antitanque e cerca de seis mil munições de diverso tipo que não explodiram e ficaram perdidos desde então, os denominados "UXO", caracterizados por serem muito instáveis e de fácil detonação quando movimentados.
O documento do CNIDAH deixa perceber que a prioridade das equipas de desminagem se concentraram nas vias de comunicação e de transporte de energia, considerados no início dos trabalhos de desminagem, com mais determinação a partir de 2004, tais como as estradas, com 47 mil km"s quadrados limpos, caminhos-de-ferro, com 3, 200 km"s, havendo ainda lugar de destaque para as linhas de energia e de fibra óptica.
Mas o documento aponta ainda outros números trágicos, os das vítimas de explosivos "semeados" pela guerra, com mais de 15 mil feridos, não sendo feita referência ao número de mortos, embora as estimativas de organizações internacionais apontem para milhares de mortos em consequência da detonação de minas terrestres ou outros engenhos deixados no rasto do longo conflito armado que o país viveu, entre 1975 e 2002, havendo ainda a acrescentar os cerca de 13 anos de guerra pela independência.
O CNIDAH realça ainda que 66 por cento dos locais assinalados como "minados" já foram limpos, apesar de restarem ainda mais de 1100 "spots" no território nacional.
Recorde-se que a prioridade já assumida publicamente por responsáveis dos diversos sectores, da desminagem deve estar agora centrada nas áreas de potencial agrícola, essencial para que possa ser conseguido o objectivo de diversificar com sucesso a economia do país, sendo a agricultura uma das componentes nucleares.
As mortes que amiúde são noticiadas em consequência do rebentamento de engenhos explosivos, são de mulheres que se deslocam para as lavras e crianças que encontram esses engenhos e os fazem rebentar durante brincadeiras.
Algumas organizações, como a Cruz Vermelha, chegaram a admitir que Angola tinha à volta de 10 milhões de minas espalhadas pelo território, embora estes números não tenha sido confirmados pelo evoluir dos trabalhos de remoção.

