Não é preciso muito esforço para ver nas ruas de Luanda um número crescente de cães e gatos vadios que deambulam de um lado para o outro, constituindo um atentado à segurança e saúde pública. A reclamação parte de cidadãos que são atacados diariamente por estes animais soltos, livres e perigosos.

É o caso de Matilde Feca, residente no bairro do Jumbo, distrito urbano da Maianga, que diz ter sido vítima de um cão sem dono. Fui mordida por um cão que ficava a deambular aqui no nosso bairro. O dono já faleceu e ele passava a vida toda a girar pelas ruas.

Um dia, quando ia a sair de casa, atacou-me as pernas e feriu-me, contou a jovem. Outra vítima foi José Ngunza, que reside no Cazenga. O homem foi atacado por uma cadela no bairro Vila Alice, quando se dirigia para o local de trabalho.

Foi uma situação constrangedora e rápida. Enquanto caminhava, o cão saiu do interior da carcaça de uma viatura e pôs-se a atacar-me, visivelmente cheio de raiva, explicou. Quem não teve a sorte de resistir aos ataques, neste caso de um gato, foi o pequeno Risinho que, depois de ser mordido, veio a falecer. A mãe, Isabel João, disse que quando o incidente ocorreu, em 2011, estava no trabalho.

Conforme me contaram, o gato apareceu do nada cá em casa, o menino pegou-lhe na cauda e girou- o de um lado para o outro. De tanto sufoco, o animal acabou por mordê-lo, contou. De acordo com dona Joana, depois de ser mordido, Risinho, que se fosse vivo faria 11 anos, escondeu o ferimento durante muito tempo, com medo da reacção da mãe.

Depois de alguns dias, acabou por falecer e o diagnóstico médico revelou que tinha raiva. O problema é que somos constantemente invadidos por gatos sem paradeiro.

É preciso que os homens da fiscalização venham cá fazer uma limpeza a fim de eliminar estes animais vadios, defendeu Joana, residente no bairro Cassequel, na Maianga.

A situação dos animais vadios nas ruas de Luanda tem merecido a atenção da Direcção Provincial dos Serviços Comunitários, que se diz sem muitos meios para continuar a recolha regular de cães e gatos.

De acordo com Moniz Vicente, responsável do Canil Gatil do referido serviço comunitário, a nível da província de Luanda foram registados, durante o primeiro semestre do ano em curso, 301 casos de mordedura em humanos, sendo 289 de cães, nove de gatos e três de macacos.