Na semana passada, o tribunal interrogou por três dias o arguido Lev Matvevoch, de 64 anos, acusado de espionagem, organização terrorista e de financiamento ao terrorismo em Angola.

Este arguido confirmou em tribunal tere mantido encontros privados com figuras políticas do MPLA e da UNITA, onde abordaram questões sobre as próximas eleições de 2027.

Lev Matvevoch negou qualquer ligação ao grupo paramilitar Wagner e rejeitou as acusações de financiamento ao terrorismo e de espionagem.

O arguido, que se encontra detido, disse ao tribunal que o seu papel único se limitava ao de intérprete do compatriota Igor Rochin Mihailovich, que começa a ser interrogado esta quarta-feira.

Ao tribunal, Lev Matvevoch confirmou reuniões com Higino Carneiro, na sua residência; com o ex-secretário-geral do MPLA, Dino Matrosse, em restaurantes; com o general Paulo Lukamba Gato, num apartamento arrendado na Centralidade do Kilamba; com o político António Venâncio, na sua residência e em restaurantes; e com o governador provincial de Malanje, Marcos Nhunga, nas instalações do Governo Provincial.

O arguido negou, contudo, ter tido qualquer encontro com o líder da UNITA, Adalberto da Costa Júnior.

Ao tribunal, descreveu-se como um académico de prestígio tendo referenciado que durante alguns anos foi professor na Escola Superior de Guerra das Forças Armadas Angolanas (FAA), no Grafanil, em Luanda.