São números provisórios avançados pelo Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, no balanço das ocorrências nas últimas 24 horas, mas relatos de munícipes nas periferias sugerem um quadro bem mais dramático no Lobito, Catumbela, Benguela e Navegantes.
Muitos cidadãos são dados como desaparecidos, principalmente nas zonas altas.
Estão de volta, a julgar pela crítica social, os fantasmas da tragédia de 11 de Março de 2015, quando as chuvas deixaram quase cem mortos e desalojaram mais de trezentas famílias, hoje na urbanização dos Cabrais.
Imagens que se tornaram virais nas redes sociais mostram corpos arrastados pelas águas, casas e vias inundadas e membros do Governo Provincial em visitas de constatação.
Quando se olha para trabalhos de desassoreamento de valas que transbordaram, em curso com máquinas alugadas à pressa a empresários locais, aumenta o tom da crítica, estando a ser questionado o Programa Integrado de Infra-estruturas Públicas.
Tal como noticiou o NJ há quatro anos, pouco depois do lançamento do Programa Integrado, avaliado em 415 milhões de euros, as autoridades "pecaram" na definição das prioridades, segundo um antigo membro do Governo Provincial ligado à área Técnica e de Infra-estruturas.
Foi, aliás, a tragédia de 2015 que determinou a implementação das obras emergenciais, mas a realidade, conforme a mesma fonte, mostra que "está a ser ignorado" o Plano Director de Macrodrenagem Urbana da província de Benguela.
"Quase que não se mexe na macrodrenagem, na limpeza das valas, parece que a prioridade é reabilitar edifícios no centro das cidades", apontou.
Agora, o arquitecto Sérgio Chitata, em declarações ao NJ, assinala que o problema reside na falta de prevenção, sublinhado que a província registava chuvas mais intensas nos anos 80.
"Rebentaram com as valas da antiga Açucareira [Catumbela], elas serviam para escoar as águas para o mar", recordou o especialista, antes de ter realçado, em relação ao Lobito, os aterros nos mangais e nas antigas salinas.
Outro aspecto apontado por Sérgio Chitata é a não regularização dos rios, como se viu há duas semanas, quando o transbordo do Cavaco, consequência de chuvas no interior, desalojou as famílias do Tchipiandalo.
Na sua intervenção, o governador de Benguela, Manuel Nunes Júnior, garantiu que "ninguém vai ficar desamparado" e reiterou que as famílias em zonas de risco devem ser transferidas.

