Angola prepara-se para se lançar na produção de óleo de palma, o óleo alimentar mais usado no mundo, com projectos previstos para as províncias do Bengo, Benguela, Cabinda, Kwanza Norte e Uíge, e, segundo o Ministério da Agricultura, o terreno para a expansão deste negócio está a ser preparado com o apoio de alguns dos maiores produtores mundiais, como a Indonésia e a Malásia.

O potencial económico deste produto só é comparável ao impacto negativo que tem no meio ambiente, com a extinção de espécies de animais e vegetais, como há muitos anos é denunciado por todas as grandes organizações ambientalistas mundiais, nomeadamente na África Ocidental e na Ásia, com destaque para a Indonésia, onde, por exemplo, o orangotango de Sumatra foi levado quase à extinção devido à substituição da floresta por esta monocultura.

Apesar de alguma tradição na produção de óleo de palma e na plantação dos palmares, Angola tem as suas instituições de investigação agrícola e o Ministério da Agricultura a trabalhar com alguns dos países com maior experiência nesta cultura, que são as Filipinas, a Indonésia e a Malásia, para melhorar o material genético das futuras plantações de palmar em território nacional.

Para já, o ministro da Agricultura, Afonso Pedro Canga, citado pela Angop, referiu que já há propostas de empresários do sector para avançar com projectos de expansão do palmar nacional, sendo que, de acordo com estudos internacionais, a produção de óleo de palma é rentável a partir dos 10 hectares, é o mais lucrativo dos óleos vegetais, a produção tem um aumento significativo todos os anos até que as árvores atingem a sua plena maturidade e o investimento requerido não é considerado significativo.

Tendo em consideração a existência de vastas áreas em Angola com potencial para a plantação de palmares, e que o óleo de palma é utilizado em dezenas de produtos industriais, alimentares e cosméticos, e tem o mais baixo custo de produção dos óleos vegetais, com um aumento da procura anual sempre a subir, surge como natural a apetência dos empresários do sector para investirem no país.

Até 2020, admite a especialista e ambientalista francesa, Agnes Pierret, a um site ambientalista, o mundo deverá estar a produzir 40 milhões de toneladas de óleo de palma, mais cerca de 10 milhões que em 2010, apontando que este aumento continuado da produção tem levado à destruição de milhares de hectares de floresta virgem, com maior destaque para as ilhas indonésias e as Filipinas, mas também em alguns países da África Ocidental, como os Camarões, onde aos protestos das populações contra a destruição de habitats naturais, se juntam as ONG ambientalistas internacionais com o intuito de evitar que ocorra a mesma destruição vivida em países como a Indonésia.

Para os novos produtores, nomeadamente países onde esta plantação é escassa ou inexistente, as organizações ambientalistas aconselham a que seja seguido o protocolo do óleo de Palma Sustentável, uma certificação que foi iniciada em 2005 e que, para ser atribuída, tendo em conta que algumas multinacionais da cosmética e da alimentação estão a recusar importar este produto sem esta certificação, o palmar não deve resultar da destruição de determinadas florestas, não todas, e a não utilização de queimadas ou pesticidas e herbicidas que constam de uma lista de produtos proibidos.