Centenas de camiões carregados de cimento angolano aguardam nas fronteiras com a República Democrática do Congo (RDC) depois de terem sido apanhados pela interdição de importação do Governo de Kinshasa como medida proteccionista da produção local.
Esta interdição, decidida há cerca de três semanas, gerou um intenso debate na RDC a propósito do preço do cimento que, segundo a Rádio Okapi, foi tabelado a 12, 5 dólares norte-americanos mas que o mercado foi "empurrando" para cima, estando a ser vendido cada saco em Kinshasa a 15 dólares devido à interdição, por três meses, de importação decretada pelo Governo.
A imprensa congolesa também se referiu abundantemente à fraca qualidade do cimento produzido na RDC em comparação com o importado de Angola, preferindo os construtores do país o importado.
Esta é uma das razões cimeiras para que tenha sido interdita a importação de cimento angolano, porque as cimenteiras nacionais, sendo a Cimenteira da Lukala uma das mais importantes, pressionaram o executivo de forma a proteger a produção de cimento na RDC.
Esta sucessão de situações levou a que, na fronteira entre os dois países, do lado angolano, centenas de camiões carregados de cimento se fossem amontoando, especialmente nos postos aduaneiros de Nóqui e do Luvo, à espera que as autoridades de Kinshasa permitam a entrada no país.
Uma das razões que fazem tardar essa abertura é que o cimento angolano chega ao mercado da RDC mais barato que aquele que é produzido localmente e, como avançou a Rádio Okapi, referindo a opinião dos consumidores, de melhor qualidade, fazendo perigar esta indústria no país, com o risco de criar milhares de desempregados.
Entretanto, o desespero vai tomando conta dos camionistas e empresários angolanos com a mercadoria empatada nas fronteiras, porque, como disse Basílio Lukumba, que tem seis camiões encravados no Nóqui, citado pela Angop, para além da barreira à entrada, há ainda a registar um significativo aumento das taxas alfandegárias.
Os empresários angolanos pedem mesmo ao Governo de Luanda que faça valer os acordos bilaterais como forma de evitar a total falência de muitos daqueles que se dedicam a esta actividade.
Angola produz actualmente um excedente de mais dois milhões de toneladas de cimento por ano, fruto do abrandamento da construção, gerado pela crise provocada pela baixa no preço do petróleo, mas também porque o país não está no mesmo ritmo de construção de infra-estruturas que levou à instalação da capacidade de produção superior a oito milhões de toneladas/ano.
O opaís tem hoje quatro grandes unidades produtoras de cimento: o grupo CIF (chinês), no Bom Jesus, a Nova Cimangola, também em Luanda, que modernizou as suas infra-estruturas para aumentar a produção nos tempos áureos da reconstrução, a Fábrica de Cimento do Kwanza Sul e a Secil Lobito, a mais antiga, que data da década de 1950.

