"Faz alguma coisa!" foi o pedido do povo de Benguela durante a visita que o PR João Lourenço fez para constatar os efeitos das chuvas do último domingo. É um apelo perante um poder central que, na maior parte das vezes, se mostra indiferente e demasiado distante do sofrimento da população. A urgência maior será a de melhorar a resposta e a prevenção dos fenómenos atmosféricos severos. A urgência maior neste momento será a de planear e organizar eficazmente a resposta do Estado às cheias de Benguela. A urgência maior é a de implementar uma cultura de compromisso focada na prevenção, de organizar e planear melhor os recursos do País, para que o Estado responda em tempo útil às vítimas, às consequências destas cheias e a outros fenómenos ambientais que são cada vez mais frequentes. Precisamos também de organizar e de coordenar melhor as prioridades do nosso País. Não pode o Presidente João Lourenço estar a fazer um ajuste directo de 167 milhões de dólares para a construção de uma ponte para acesso ao Mussulo e termos os rios Cavaco e Catumbela sempre com intervenções há anos. Não pode o governador de Benguela, Manuel Nunes Júnior, estar a filmar-se a receber membros do Executivo Central, das Forças Armadas e da Polícia Nacional em ambientes de "kandandos e kwatas", quando tem mais de 40 pessoas mortas na sua província, no espaço de uma semana, e milhares de desalojados.