Aquela que é a "maior tragédia desde a independência" no arquipélago, como a classificou o primeiro-ministro, Francisco Carvalho, aconteceu no Sábado, 05, e a televisão pública cabo-verdiana só avançou com a noticiou um dia depois, já no Domingo, 06.
No acidente com um autocarro que transportava dezenas de crianças e adolescentes, e alguns adultos, que se despenhou por uma ladeira com mais de 30 metros, fez ainda 14 feridos, alguns em estado muito grave, na maioria menores.
A notícia já estava nos media de todo o mundo e a televisão pública daquele arquipélago lusófono ao largo da costa da África Ocidental não tinha sequer mencionado o acontecimento.
Perante a polémica que rapidamente alastrou na sociedade cabo-verdiana, a administração da RTC, alegando "diversas falhas e situações de insuficiente coordenação, supervisão editorial e operacional" anunciou, na segunda-feira, 07, a demissão da direcção da TCV.
a deliberação dá como exemplos o caso Gilson Alves e o mais recente acidente na ilha do Fogo, entre outros, para fundamentar a sua decisão.
No comunicado pode-se ainda ler que "a TCV não assegurou a resposta jornalística célere que seria exigível a uma televisão pública".
O acidente que está na génese deste medida punitiva pelo falhanço profissional da televisão pública de Cabo Verde foi considerado pelo primeiro-ministro como a "maior tragédia em Cabo Verde no pós-independência", o que dá especial sublinhado à falha da TCV.
"Estamos a falar da maior tragédia que nós já tivemos em Cabo Verde pós-independência", afirmou Francisco Carvalho, durante uma conferência de imprensa na ilha do Fogo, após visitar o local do acidente e as famílias das vítimas, noticiou a Lusa.
Nessa conferência de imprensa, Francisco Carvalho anunciou a criação de equipas multidisciplinares para, entre outras tarefas urgentes, responder aos problemas detectados na qualidade das estradas e da resposta de emergência no arquipélago.
O Governo anunciou também a criação de uma equipa multidisciplinar, com técnicos de diferentes entidades e valências, que ficará de prontidão para ser acionada em emergências.
"Uma equipa que seja constituída e esteja de prontidão para que, em casos de necessidade, seja acionada e não se tenha de desenvolver contactos ali à pressa", explicou.
O chefe do Governo adiantou ainda que o executivo vai avançar com a aquisição de equipamentos para reforçar a Proteção Civil, incluindo ambulâncias, meios para bombeiros e outros equipamentos, além de formação e capacitação.
O acidente, lembra ainda a Ludsa, ocorreu no sábado, quando um autocarro que transportava 39 pessoas, entre alunos e outros passageiros, saiu da estrada e caiu de uma altura de cerca de 30 metros, na localidade de Campanas de Cima, no município de Santa Catarina do Fogo.
Vinte e cinco pessoas morreram e 14 ficaram feridas e 13 encontram-se ainda internadas no Hospital Regional São Francisco de Assis, quatro das quais em situação clínica mais grave.
O Governo cabo-verdiano decretou dois dias de luto nacional na sequência da tragédia.
