Os que ficaram na empreitada, responsáveis pelos quase dois metros das paredes em apenas quatro moradias-modelo, no bairro da Graça, apresentam queixas de falta de alimentação e baixos salários.

São notas recolhidas na deslocação do vice-governador provincial para a área técnica e de infra-estruturas, Américo Tchissassa, nesta terça-feira, 15, uma semana depois da reportagem do NJ que descreve uma realidade adversa às promessas feitas pelas autoridades.

Uma das promessas apontava precisamente para centenas de empregos logo após o lançamento da pedra para 225 casas neste bairro, ocorrido a 16 de Junho, mas estão no terreno não mais de 20 jovens, aqueles que dizem trabalhar quase dez horas diárias sem refeição.

"A empresa não dá comida, nem sempre temos como trazer de casa. Os salários são baixos, pagam 2 ou 3 mil Kwanzas por dia", disseram, mesmo com a "mão na massa", dois colaboradores. Ambos ressaltaram que um funcionário é obrigado a trabalhar até aos domingos para fechar um salário superior a 60 mil kwanzas.

Apenas a empresa vietnamita mostra algum trabalho, ao passo que duas outras, a Tchicamby Construção Civil e Obras Públicas e a JFS, locais, ultimam a montagem dos seus estaleiros.

Facto curioso é que a empresa chinesa Xu Zhang Na Zhong, contratada pelo Ministério das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação para construir todas as casas e sete equipamentos sociais, tem a acção limitada à venda de blocos.

A entrada em cena de outros operadores foi consumada na sequência das vozes que se levantaram a favor da inclusão de empresas da província afectada pelo transbordo do rio Cavaco.

Orçadas em mais de 11 mil milhões de kwanzas, as 225 casas são as primeiras de um total de 1525, também para os municípios da Catumbela e Lobito.

Focos de lixo e trabalhos de terraplanagem numa área (44 hectares) caracterizada por declives são outros cenários verificados pelo vice-governador provincial.

Se o governador Manuel Nunes Júnior esteve, em praticamente três meses, a afirmar que "já estamos a construir as casas", Américo Tchissassa surge, agora, a informar que, terminados os estudos dos solos, estão à vista os primeiros sinais.

Questionado sobre o início da época chuvosa, havendo ainda muitas famílias no centro de acolhimento, reafirmou que a especificidade do solo (argiloso) e os riscos de falhas técnicas exigiam uma moratória. "Vamos trazer um ponto de abastecimento de água para os empreiteiros. Temos de olhar para a segurança sobretudo dos nossos expatriados, analisando a possibilidade de um posto policial, isto porque fomos informados de três assaltos à mão armada", referiu o governante