Uma fonte ligada a um supermercado da capital, que pediu anonimato por considerar um tema delicado, acusa o concorrente Kero de praticar preços relativamente baixos por escapar ao pagamento de taxas aduaneiras.

A maior parte da mercadoria importada por aquela cadeia de distribuição é desovada no terminal da 5M. Aquele terminal é regularmente utilizado para a descarga de materiais ligados ao processo de Reconstrução Nacional, no âmbito da linha de crédito da China, e beneficia de isenções no pagamento de taxas e impostos.

Mas a estrutura tem sido aproveitada para o desembaraço de outras mercadorias, especialmente as que são importadas pelo supermercado Kero. A fuga ao fisco estende-se à importação de veículos e outros equipamentos, que chegam a entrar em Angola com preços muito abaixo do que seria normal, confidenciou a nossa fonte.

Por via de regra, os produtos importados pela maioria das superfícies comerciais de Luanda são manuseadas nos terminais da Sogester e outros ligados ao Porto de Luanda. Neste caso, obedecem às normas de desembaraço alfandegário estipulado por lei.

O NJ tentou contactar a direcção do supermercado Kero mas um responsável da área de marketing prometeu apenas abordar o assunto em Novembro, dada a ausência da directora da referida área. Outra rede de distribuição alimentar que se confronta com estas práticas é a Maxi.

O Novo Jornal tentou ouvir um posicionamento da empresa, mas também a direcção desta unidade comercial escusou-se a prestar quaisquer declarações sobre o assunto. Idêntica posição foi tomada pelo empresário Carlos Cunha, um dos responsáveis do supermercado Zamba, situado no município do Cazenga que, contactado pelo NJ, rejeitou aflorar a questão. Uma fonte do Ministério do Comércio não confirma a ocorrência mas sublinha que existe isenção fiscal para todas as superfícies comerciais no que toca aos produtos alimentares que compõem a cesta básica.