A notícia é do jornal britânico The Guardian e está assente num documento emitido pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que põe a descoberto uma operação de grande envergadura com recurso a todas as embaixadas dos EUA para combater a "propaganda hostil" aos interesses norte-americanos.

Esta nota assinada pelo chefe da diplomacia de Washington, ordena a passagem ao estado de "prontidão de combate" às representações diplomáticas norte-americanas espalhadas pelo mundo que contarão para esta "guerra" com os serviços do departamento de operações psicológicas do Pentagono.

Além da unidade especial de operações psicológicas do comando supremo militar dos EUA, as embaixadas terão ainda uma ajuda por fora da rede social X, de Elon Musk, o trilionário amigo de Donald Trump que chegou a integrar a sua Administração nos primeiros meses deste seu segundo mandato.

O jornalista do Guardian, Joseph Gedeon, em Washington, escreve que o Departamento de Estado ordenou a todas as embaixadas e consulados dos EUA no mundo para uma campanha coordenada de combate à propaganda hostil aos interesses norte-americanos, sugerindo ainda este documento que nessa campanha seja integrada a participação da unidade de operações psicológicas do Pentagono.

O objectivo definido neste plano saído da pena de Marco Rubio é enfrentar e derrotar as sucessivas vagas de desinformação que visam prejudicar os EUA e os seus interesses espalhados pelo mundo, num momento em que Washington se desdobra em múltiplas "frentes", desde o Médio Oriente a Cuba, na Ucrânia ou no plano do Presidente Donald Trump de tomar a ilha dinamarquesa da Gronelândia, "a bem ou a mal", depois do bem- sucedido assalto ao poder na Venezuela.

Marco Rubio justifica às suas embaixadas e representações diplomáticas em organizações internacionais esta "operação especial" com a guerra contra o Irão, um país que "há décadas opera uma das mais sofisticadas redes de desinformação contra os EUA" em todo o mundo, e ainda com os esforços separados ou conjuntos da China e da Rússia para atacar os interesses norte-americanos e dos seus aliados em África, na Ásia e na América Latina.

Segundo The Guardian, as indicações de Rubio surgem em cinco pontos específicos, passando por (1)conter e combater as mensagens hostis, (2), alargar o acesso à informação, (3), expor o comportamento dos adversários, (4) incentivar vozes locais a defenderem os interesses dos Estados Unidos e, (5) promover localmente o elogio da narrativa americana.

Para isso, as embaixadas estão desafiadas a contratar influenciadores locais, académicos com prestígio e líderes das comunidades em diversas áreas, o que, previsivelmente incluirá jornalistas, como uma "task force" local para lançar combates de contra-propaganda, de forma a criar a noção de que essas posições emergem das forças vivas dos países e não como resultado de uma orientação emanada de Washington, o que exige "apagar" os rastos da origem e financiamento da manipulação.

E o que se pretende em Washington é derrotar as campanhas que visam "mudar a culpa para os EUA" no que diz respeito aos múltiplos assuntos internacionais ou locais, "dar visibilidade às divisões entre aliados dos EUA", conduzir as opiniões públicas a formarem opiniões alternativas e contrárias à narrativa subjacente aos interesses da Casa Branca, e impedir que essas campanhas possam "ferir os pilares americanos de liberdade económica e política".

O jornal de Londres avança ainda que não é normal que o Departamento de Estado junte a diplomacia às operações psicológicas do Pentagono, embora sublinhe que este tipo de campanhas já tenham ocorrido no passado.