Perguntar e perguntar faz parte dos atributos do jornalista. Por vezes, o jornalista tem um papel investigativo, fazendo perguntas que ninguém mais ousa fazer e usa a sua sagacidade para reportar, noticiar, alertar. O jornalismo deve promover a transparência e a responsabilidade, monitorando acções, projectos, atitudes, dentro dos limites da lei e da ética. Isto ajuda a prevenir abusos de poder e corrupção, criando um ambiente em que a ética e a justiça tenham mais hipóteses de prosperar.
O jornalismo serve como um canal de comunicação entre os governados e os governantes. Ele amplifica as vozes dos cidadãos, destacando suas preocupações, anseios e demandas. Ao mesmo tempo, informa o público sobre decisões políticas, mudanças legislativas e eventos significativos, permitindo que as pessoas tomem decisões conscientes, seja no voto ou em outras formas de engajamento cívico.
Tal como o jornalista tem todo o direito de fazer perguntas, o entrevistado tem todo o direito de não responder, mas isso, geralmente, vem com consequências. O silêncio ou a evasão podem levantar suspeitas, ou criar a percepção de que há algo a esconder. Afinal, o papel do jornalista é justamente questionar e buscar respostas em nome do público. Essa escolha pode ser interpretada como uma falta de transparência, o que pode prejudicar a confiança do público.
No fim das contas, a relação entre jornalistas e políticos é um jogo de equilíbrio. O jornalista insiste, o político resiste, e o público observa. É como um duelo de xadrez, no qual cada movimento é calculado, mas o objectivo final deveria ser sempre a verdade e não o gracejo. Um bom jornalista não existe para escolher lados, mas para fazer ponte entre governantes e governados. Ele é como um maestro imparcial que conduz uma sinfonia de vozes, garantindo que nenhuma se perca pelo caminho. Ser imparcial não significa ser incolor. O jornalista busca mergulhar no mar de informações e emergir com pérolas de verdade, ainda que a pérola venha com um pouco de lama. Imparcialidade, neste caso, é um farol que guia a embarcação, mas não impede o marinheiro de sentir a água salgada na face, e não ser abalroado por um submarino inimigo.