Suas principais motivações podem ser atribuídas a três dimensões: i) oportunidades económica; ii) reconciliação com a sua história de vida; iii) procura de espaços de lazer(amenidades). Como atrai-los e mantê-los nestas zonas, economicamente, deprimidas? Qual seria o contributo directo para a economia local e atracção de investimento?
Devido ao seu foco, que pode ser traduzido na auto-realização e de procura de harmonia de vida, o perfil destes migrantes é diferenciado dos outros (refugiados, exilados, etc.). Ou seja, não dependem das oportunidades de trabalho ou da estrutura da economia local. Estes buscam amenidades naturais (clima agradável, paisagens singulares, etc.) ou sociais (como cultura).
No contexto de Angola, atracção de migrantes para essas localidades tem em grande medida, nos serviços sociais, (acesso a cuidados de saúde) e características da população, elementos que ganham relevância no processo de tomada de decisão, tanto nacionais como os estrangeiros.
Para as localidades, a chegada de fluxos de (i) migrantes pode espoletar transformações nos territórios de implantação, induzindo impactes a nível da estrutura económica, contribuindo para a inovação e transformação. Uma vez que possuem rendimento estável, por vezes acima da média e, em muitos casos, a expertise necessárias (inexistente nesses territórios) associado à tendência de reentrada no mercado de trabalho (para os mais qualificados), podem contribuir para o desenvolvimento local.
Nestes territórios, o mercado de habitação poderá representar um dos sectores onde assume maiores repercussões. Por um lado, através do incremento da pressão sobre o parque habitacional (in)existente (a montante, acréscimo da renda locativa) e, por outro, através da aquisição de novas habitações.
Considerando o amplo conjunto de impactes positivos que estes reformados podem representar para as áreas de implantação, naturalmente, que esse influxo de pessoas poderá gerar questões sócio-económicas e ambientais, nomeadamente: - pressão sobre o solo, assimetrias de ordem económica e ou cultural, esperado, por força, do próprio dinamismo do êxodo. As políticas, em particular de distribuição espacial da população, que tem como fim principal incentivar as economias rurais deverão ser desenhadas para atracção e manutenção dessa "propensão migratória pós-reforma".
Portanto, esforços entusiastas de divulgação das amenidades naturais do País não serão suficientes para atracção e manutenção dos migrantes, por quanto, exige demanda de um conjunto de qualidades logísticas que vão desde assistência médica às telecomunicações, estradas. É fundamental verificar-se uma revitalização de base local que permita beneficiar das dinâmicas desencadeadas pela tendência da migração interna pós-reforma.

*Professor do CIS