As propostas, já aprovadas na generalidade com 167 votos a favor, nenhum contra e nenhuma abstenção, visam proteger a biodiversidade, com foco no ecoturismo e na integração das comunidades locais na gestão e nos benefícios económicos.
O Governo garantiu que pelo menos 40% dos postos de trabalho na fiscalização e gestão serão reservados às populações locais, incluindo oportunidades em guias e artesanato.
A serra do Pingano (Uíge) abrangerá uma extensão de 2.838 km² nos municípios do Uíge, Quitexe, Ambuíla e Songo, protegendo florestas húmidas tropicais, espécies raras e habitat crítico.
A Serra do Pingano destaca-se como uma das áreas montanhosas mais relevantes do norte de Angola, funcionando como um refúgio de biodiversidade florestal numa região sujeita a crescente pressão antrópica.
A presença de microclimas húmidos, associados à altitude e à orografia (como o terreno é moldado em altura e forma), favorece a persistência de habitats sensíveis e confere à Serra do Pingano um papel estratégico na conservação da biodiversidade, na estabilidade dos solos e na regulação dos sistemas hídricos locais.
A sua elevação ao estatuto de área de conservação responde, assim, a uma lacuna histórica na protecção dos ecossistemas florestais do norte do país.
Relativamente ao morro do Moco, o ponto mais alto de Angola, é amplamente reconhecido como um dos ecossistemas mais críticos para a conservação da biodiversidade nacional.
O morro do Moco desempenha uma função essencial na regulação hídrica, actuando como zona de nascente e recarga de aquíferos, com impacto directo na segurança hídrica das comunidades a jusante.

