A filha do antigo Presidente José Eduardo dos Santos diz que agora está "aliviada com o golpe" que lhe deu o seu "carrasco político", o "Ditador João Lourenço e os seus bajuladores".
"Revogaram o meu mandato de Deputada após eles mesmos terem provocado a minha ausência prolongada do país com muita intimidação e ameaças à minha integridade, numa clara violação dos direitos humanos e da Constituição de Angola", apontou.
Num tom de aviso, Tchizé dos Santos, diz ainda que, "quando Angola implodir", agora não vão poder dizer que ela estava ao lado do Presidente a apoiá-lo.
"Quando Angola implodir devido à incompetência do Presidente angolano, sob o olhar cúmplice do nosso partido, MPLA, face a erros e atropelos gravíssimos do ditador João Lourenço às instituições e o golpe de Estado que deu às Instituições, não vão dizer que eu também estava lá com ele", avança a ex-deputada e militante do MPLA.
Depois, numa parte da sua resposta à revogação do mandato, Tchizé dos Santos lembra que, com esta saída de cena parlamentar, em tom que pode ser considerado irónico, deixou de ser uma Pessoa Politicamente Exposta (PEP): "Atenção amigos e familiares: comemorem! A partir de hoje deixei de ser PEP (Politicamente exposta), podem voltar ao banco e preencher dizendo que não têm PEP"s na família!!".
E, para o caso de se manter a vontade, na perspectiva da filha do ex-Presidente da República, de continuarem com a "perseguição", lembra que a lei lhe dá um grau elevado de protecção, nomeadamente a manutenção do passaporte diplomático e segurança "para toda a vida!".
"Atenção Bullies políticos: Não se esqueçam que o meu passaporte Diplomático como filha de Antigo Presidente da República é para toda a vida, bem como o direito à segurança e protecção especial do Estado (...) como determina a lei Angolana e ainda que mudem a lei, o seu efeito não retroage, isto é não me abrangeria qualquer alteração", termina o seu "recado" nas redes sociais.
Mandato revogado na terça-feira
O Parlamento revogou o mandato de deputada a "Tchizé" dos Santos que está fora do País há vários meses, motivo pelo qual se encontra, segundo a Assembleia Nacional, em situação de "abandono do posto de trabalho" e de "enriquecimento sem causa", devido aos salários que continuou a auferir, o que enquadra a justificação para a perda do mandato
A votação decorreu por proposta da bancada parlamentar do MPLA e foi aprovada com os votos a favor do partido do Governo e da UNITA, à excepção dos deputados David Mendes e Raul Taty. O PRS, a CASA-CE e a FNLA abstiveram-se.
O assunto tinha sido encaminhado para a 9ª comissão de Mandatos, Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Nacional em Setembro.
Welwitschia José dos Santos "Tchizé", na carta que dirigiu ao presidente da Assembleia Nacional, Fernando Dias dos Santos "Nandó", para justificar a saída do País, alegou razões de saúde dos filhos.
No entanto, em alguns áudios divulgados nas redes sociais em Maio, Tchizé dos Santos justificava a sua prolongada ausência do país com o "facto" de estar a ser perseguida, admitindo receio de que possa ser detida quando voltar a Angola, dando como exemplo, para justificar esse receio, as detenções do seu irmão, José Filomeno dos Santos, entretanto já em liberdade, ou do ex-ministro Manuel Rabelais.
Depois das declarações da agora ex-deputada, o porta-voz do MPLA considerou como "muito graves" as declarações de Tchizé dos Santos, afirmando que o partido as iria analisar à luz dos estatutos partidários.
Uma dessas afirmações, consideradas graves pelo MPLA, é aquela onde a deputada diz que é João Lourenço que lhe está a "fazer perseguição através do MPLA", porque "ninguém no MPLA toma uma atitude sem a autorização do Presidente, ou sem a sua orientação".
Paulo Pombolo pedia "provas" do que afirmava Tchizé dos Santos e considerou muito grave este comportamento e absurdas as suas palavras.
"Exigir a destituição do Presidente João Lourenço? Acusar o Presidente de ser um ditador? De estar a fazer um golpe de Estado às instituições em Angola? Tem provas? São palavras absurdas e declarações graves, muito graves, que o partido vai analisar", incluindo pela sua comissão de disciplina, disse ainda o porta-voz do MPLA.
A 7 de Junho, o Comité Central do MPLA suspendeu Tchizé dos Santos.
"O Comité Central aprovou a instauração de um processo disciplinar e a aplicação da medida de suspensão da qualidade de membro do Comité Central, de acordo com o Artigo 35.º dos Estatutos do MPLA, a camarada Weliwítschia José dos Santos, membro deste órgão, pela conduta que atenta contra as regras de disciplina à luz dos Estatutos e do Código de Ética Partidária", dizia o partido num comunicado.